Amazônia: Flávio Dino reclama de “postura reativa” de Bolsonaro

Dino alertou para os possíveis efeitos do entrevero internacional. "O extremismo não é adequado", alertou o governador do Maranhão

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 27/08/2019 12:39

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), reclamou da postura do presidente Jair Bolsoanro (PSL) na condução da crise ambiental deflagrada tanto pela alta no desmatamento quanto pelas queimadas na Amazônia. Para ele, é preciso “moderação e diálogo”. Dino se referia ao embate entre Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron.

Dino alertou para os possíveis efeitos do entrevero internacional. “O extremismo não é adequado para uma questão complexa como o meio ambiente. Quando se solta uma faísca no nível mais alto do poder, pode gerar uma incêndio quando chegar lá embaixo.  Não é com uma postura reativa que vamos sair dessa crise internacional de imagem que o Brasil se encontra”, destacou.

O governador continuou: “Não podemos rasgar a Constituição. Precisamos proteger a soberania nacional. Ela não se afirma retoricamente, mas sim, no cumprimento de ações. Ela não é retórica, um slogan. Não podemos repelir ações cooperadas. O diálogo com outros países é imprescindível. Por obvias razões. Se o Brasil se isola, ele se expõe a sanções internacionais”, disse durante a reunião com Bolsonaro.

O chefe do Executivo maranhense pediu o destravamento dos recursos do Fundo Amazônia. “Temos projetos em andamento e outros que aguardam análise do fundo. No Maranhão, temos um projeto para compra de equipamentos de R$ 33 milhões que aguarda apreciação. Espero que haja esse destravamento. Não podemos rasgar dinheiro. Isso não é sensato”, frisou.

Dino defendeu que em vez de embates, o governo deve priorizar o uso sustentável da Amazônia. “Não precisamos de modificações legislativas, já estão aprovados nos governos anteriores. Temos uma legislação ambiental considerada uma das melhores do mundo. Uso consciente e inteligente da Amazônia. O que é possível”, concluiu.

O governador oposicionista ainda criticou recentes declarações de Bolsonaro, mas não o citou nominalmente. “Não podemos dizer que as ONGs são inimigas do Brasil. Temos que distinguir o trabalho que pode ajudar a proteger a Amazônia brasileira. Os índios são brasileiros e brasileiras que têm direitos assegurados pela Constituição, como uso e preservação de suas terras”, afirmou.

Bolsonaro reuniu no Palácio do Planalto os nove governadores da Amazônia. O governo federal rebateu críticas e apresentou os resultados das ações das Forças Armadas na região. O chefe do Palácio do Planalto reclamou da interferência internacional na região. “Internacionalização da Amazônia está em aberto e estamos aqui para defender a nossa soberania nacional. Inviabilizaram o progresso usando o índio como massa de manobra. A região mais rica do Brasil, quem sabe do mundo, está impedida de progredir”, destacou.

Últimas notícias