300 dias: Bolsonaro cita vitórias, mas desconsidera controvérsias

Balanço da atual gestão traz medidas festejadas pelo presidente, mas alguns pontos entram em contraste com a comemoração do Executivo

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 05/11/2019 18:34

O governo federal apresentou nesta terça-feira (5/11/2019) o balanço de 300 dias de governo Bolsonaro. O documento engloba medidas tomadas de janeiro até agora e aponta resultados obtidos pela atual gestão. Apesar da comemoração de inúmeras iniciativas realizadas, há controvérsias sobre o que foi obtido nos pontos citados. Isso porque a lista aponta conquistas que são contrariadas por dados, como no caso da alegada redução de queimadas no país.

Segundo o governo, houve uma redução das queimadas no Brasil entre janeiro e agosto de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado – levando em consideração dados de satélite do Sistema Copernicus (um programa europeu). O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) rebate essa informação. Em levantamento, o Inpe disse que as queimadas no país aumentaram 82% em relação ao ano de 2018, comparadas com o mesmo período. Foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 no ano passado, registrou o estudo. O instituto ainda considerou esta como a maior alta e também o maior número de registros em 7 anos no Brasil.

Outra vitória comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), em seus 300 dias de mandato, foi o discurso, considerado por ele como “histórico”, na Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o balanço, a fala do chefe do Executivo firmou a abertura para negócios com “o mundo livre e democrático”.

Mesmo que Bolsonaro tenha ficado satisfeito com o desempenho na ONU, a imprensa internacional repercutiu o discurso negativamente. Para o jornal francês Le Monde, por exemplo, o líder brasileiro demonstrou grande “intolerância” e contradisse “declarações consensuais” de seus antecessores com suas declarações sobre a Amazônia.

Seguindo ainda a linha diplomática, o presidente elencou como um resultado positivo o “acolhimento inédito” de um chefe de Estado brasileiro pelo presidente norte-americano Donald Trump. Ele ainda citou “avanços em negociações importantes”, como a para entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Acontece que, no dia 10 de outubro, os Estados Unidos negaram apoio imediato a uma proposta de inclusão de novos países, incluindo o Brasil, na organização. Os EUA defenderam que, no momento, somente a Argentina e Romênia devem ganhar assento na entidade. Após a repercussão, o governo de Trump emitiu nota afirmando que continua a apoiar a entrada do Brasil na OCDE – mas sem um prazo definido, ou mesmo sugerido.

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