Polícia investiga ataque pedindo morte aos judeus em live de sinagoga
Invasores interromperam transmissão postando imagens de Hitler, soldados alemães, suásticas e cenas de um casal fazendo sexo explícito
atualizado
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Rio de Janeiro – A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o ataque hacker, feito na noite do último domingo (22/8), durante uma transmissão virtual promovida pela sinagoga ARI, que fica em Botafogo, na zona sul da capital fluminense. A “live”, em memória da educadora Dora Fairfeld, foi interrompida por invasores que ameaçaram explodir a sinagoga além de outros templos.
Eles também pediam morte aos judeus e publicavam, nas telas, imagens de Hitler, soldados alemães, suásticas e cenas de um casal fazendo sexo explícito.
A abertura do inquérito policial, pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), coincide com o pedido da presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio, Teresa Bergher, que pede rigor na apuração do ataque.
“O movimento neonazista vem crescendo assustadoramente. A polícia precisa investigar este caso com rigor, para que os criminosos Sejam punidos. O perigo vem bate às nossas portas e estamos assistindo de braços cruzados”, lamentou Teresa, que é judia.
Investigação aprofundada
O relator da CPI da Intolerância Religiosa, na Alerj, deputado Átila Nunes (MDB), também vai pedir que a delegacia especializada nesse tipo de crime investigue a fundo esse ataque. “É fundamental que a Decradi, delegacia especializada em crimes de intolerância, investigue a fundo a autoria dos ataques por parte de hackers nazistas. Um absurdo! Não podemos tolerar atos como esses”, avalia o deputado Átila Nunes.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), repassados para a comissão, mostram que o Rio registra, em média, três casos de intolerância religiosa por dia. Em 2020, foram 1.300 registros no Estado.
Liberdade religiosa
Nessa quarta (25/8), os vereadores do Rio votam, em segunda e última discussão, a criação do Conselho Municipal de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa. Ele vai ajudar na formulação de políticas públicas para conter o avanço da discriminação religiosa e dar assistência às vítimas.
Em nota, a Federação Israelita do Rio de Janeiro informa que apoia a investigação e exige que a apuração do episódio seja feita ao mesmo tempo em que as “autoridades desta cidade, deste estado e deste país posicionem-se contra o antissemitismo e a perseguição a minorias”.
“Cabe dizer ainda que é triste e a lamentar as agressões a negros e homossexuais em inadmissíveis ofensas. Tudo deve ser apurado, não há como omitir-se! A FIERJ tem compromisso com as liberdades, o antirracismo, o antisemitismo e contra preconceitos”, diz o texto assinado pelo presidente da instituição, Alberto David Klein.






