Polícia identifica mais vítimas da dentista acusada de deformar rostos

Denúncias apontam que ela prometia aplicar uma substância, mas injetava outra, mais barata. Ao menos 40 mulheres caíram no golpe

atualizado 03/05/2021 18:03

Reprodução/TV Globo

Rio de Janeiro – Mais mulheres apresentaram denúncias contra a dentista acusada de enganar e deformar o rosto de pacientes em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

As denúncias apontam que a suspeita prometia aplicar uma substância, mas injetava outra, mais barata. Pelo menos 40 mulheres de todo o estado relataram problemas com os procedimentos realizados pela dentista Giselle Gomes.

Durante as investigações, que foram publicadas pelo Fantástico da TV Globo, na noite de domingo (2/5), a polícia também descobriu que a dentista teria outras fontes de renda, como funcionária pública em Campos e em São João da Barra, cidade vizinha.

As novas denúncias foram mostradas pelo G1. Entre 2018 e 2020, Giselle foi cedida para a Câmara Municipal de Campos e chegou a ser nomeada para trabalhar no gabinete de dois vereadores. Neste ano, a cessão não foi renovada e ela deveria ter se apresentado, mas não compareceu.

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Em São João da Barra, ela também é concursada e deveria lecionar para crianças. Ela chegou a pedir uma licença em 2018, que expirou no ano passado. Na cidade, ela também deveria ter se apresentado à Secretaria de Educação, mas não foi mais vista, de acordo com o secretário municipal de Educação, Daniel Damasceno.

Golpe

No Instagram, a dentista prometia aos 31 milhões de seguidores um extenso cardápio de procedimentos estéticos — harmonização orofacial, botox, bichectomia, fios e até lipoaspiração.

Para as pacientes, Giselle dizia usar o ácido hialurônico, substância produzida pelo próprio organismo e recomendada para o procedimento. De acordo com a polícia, entretanto, a dentista aplicava o polimetilmetacrilato, o PMMA. O material não é proibido, mas não é indicado para tratamentos estéticos.

Em entrevista ao Metrópoles, o cirurgião plástico Ricardo Frota Boggio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), alerta sobre os riscos de fazer um procedimento com pessoa não é certificada para realizá-lo.

“Pacientes que procuram outros profissionais que não são médicos têm um índice de complicação bem alto. É fundamental buscar pessoas habilitadas – não apenas para realizar o procedimento com excelência, mas também para resolver quaisquer complicações, caso elas aconteçam”, aconselha.

Além disso, o médico alertou sobre o exercício ilegal da medicina. Há uma extensa lista de perfis que oferecem o serviço no Instagram. Segundo ele, porém, “a rede social é um cartão de apresentação, mas não um sinônimo de competência”.

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