Suspeito de hackear Moro voltou ao Twitter dias antes da "Vaza Jato"
A conta na rede social estava inativa desde agosto de 2011. Ao menos 180 postagens foram feitas sobre o ex-juiz e o procurador Dallagnol

Walter Delgatti Neto (foto em destaque), 30 anos, um dos suspeitos de hackear celulares de procuradores da Lava Jato, voltou às redes sociais oito dias antes de o celular de Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, ser invadido. Entre as postagens, três a cada cinco estão relacionadas aos escândalos da Vaza Jato.
Os números foram coletados pelo Metrópoles no Twitter do suspeito. Walter estava com a conta na rede social inativa desde agosto de 2011. As postagens foram retomadas em 27 de maio deste ano, oito dias antes de o celular do atual ministro da Justiça ser hackeado. Nesse mesmo dia, foram 16 sobre o vazamento de diálogos publicados pelo site The Intercept Brasil, entre retuítes e tuítes.
Até a última segunda-feira (22/07/2019), data da última postagem feita pelo suspeito, foram contabilizados 182 tuítes e retuítes. Desses, ao menos 121 estavam relacionados a Vaza Jato, ou seja, cerca de 65%.
As publicações citam declarações de Sergio Moro, do procurador Deltan Dallagnol e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os vazamentos, comentários de jornalistas, memes e, em alguns casos, assuntos relacionados a uma possível soltura do ex-presidente Lula, motivada pela publicação dos diálogos.
Entenda
Quatro suspeitos de hackearem os celulares do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, foram presos no início da noite dessa terça-feira (23/07/2019), em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto.
Na noite dessa terça, um dos suspeitos, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, 28 anos, prestou declarações à Polícia Federal, já em Brasília. A informação é de que o depoimento tenha durado algumas horas. Outros três são ouvidos pela polícia nesta quarta-feira (24/07/2019).
Segundo a PF, os ataques a celulares de autoridades ligadas à Operação Lava Jato começaram pelo celular do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, em abril deste ano. A partir do Telegram instalado no aparelho dele, o invasor teria então chegado aos grupos de conversa com procuradores. Assim, o hacker conseguiu os números de celulares dos integrantes.
Depois, procuradores da Lava Jato no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro supostamente tiveram os smartphones invadidos. Todos os telefones de procuradores do Paraná teriam tido o aplicativo acessado, mas ainda não se sabe quais conversas foram copiadas.
Sergio Moro informou que teve o celular invadido no dia 4 de junho por um hacker que teria acessado o aplicativo Telegram do aparelho e trocado várias mensagens com os contatos do ex-juiz da Lava Jato. À época, o ministro disse que pediu o cancelamento da linha e a troca de telefone.
O site The Intercept Brasil e jornais parceiros têm divulgado trechos de conversas dos procuradores no Telegram. Segundo especialistas, os diálogos supostamente comprometem a imparcialidade do então juiz da Lava Jato.


