Polícia Civil intercepta plano de milicianos para matar Marcelo Freixo

Grupo paramilitar da zona oeste do Rio é investigado também no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. PSol cobra providências

atualizado 13/12/2018 21:56

ESTEFAN RADOVICZ/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Um policial militar e dois comerciantes foram citados num relatório confidencial da Polícia Civil do Rio de Janeiro, elaborado nessa quarta-feira (12/12), como suspeitos de envolvimento num novo plano para executar o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que se elegeu deputado federal em outubro. Os três homens são ligados a um grupo de milicianos da zona oeste, investigado pela Divisão de Homicídios (DH) pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, há quase nove meses. As informações são do jornal O Globo.

O assassinato de Freixo, segundo o documento, aconteceria durante uma agenda programada pelo parlamentar para este sábado (15) em Campo Grande. Freixo encontraria com militantes e professores da rede particular de ensino, no sindicato da categoria. Os detalhes da atividade do parlamentar foram divulgados nas redes sociais e eram públicos.

Segundo o documento da Inteligência da polícia do Rio, os três nomes citados já eram investigados por um suposto vínculo em grupos paramilitares da Zona Oeste há pelo menos cinco anos. Também aparecem no controle de operações ilegais da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho.

Um dos citados chegou a trabalhar como assessor e cabo eleitoral de um político investigado sob a suspeita de chefiar uma milícia naquela região. Uma das linhas investigadas pela DH para chegar aos responsáveis pela morte de Marielle e Anderson aponta o envolvimento de políticos e grupos paramilitares da região nos crimes.

O relatório foi difundido para vários outros setores de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio. Receberam cópias policiais civis, militares e agentes da contrainteligência da Subsecretaria de Inteligência da pasta. O documento identificou os envolvidos e anexou fotografias de todos eles.

PSol cobra apuração
Em nota encaminhada ao Metrópoles, o Psol – partido de Freixo e Marielle, que foi sua assessora na Assembleia Legislativa do Rio – afirmou que o deputado teve conhecimento do plano para executá-lo durante reunião em Brasília.

Segundo a sigla, a “ineficiência” em apontar os responsáveis pela morte de Marielle e do motorista Anderson Gomes “nutre a cultura da impunidade, faz com que criminosos se sintam à vontade para elaborar esse plano macabro” contra Freixo. O partido cobra tanto providências para manter a integridade física do parlamentar, “inclusive em Brasília”, quanto empenho na resolução do duplo homicídio cometido em março.

Confira a íntegra da nota: 

“Bancada do Psol responsabiliza autoridades na proteção à Marcelo Freixo

A bancada federal do Psol – tanto a atual quanto a próxima, que toma posse em fevereiro, da qual Marcelo Freixo faz parte – tomou ciência do plano para executá-lo durante reunião que fazia esta tarde, em Brasília.

A revelação das apurações da Polícia Civil do RJ ocorre na véspera do nono mês da execução de vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, ainda sem elucidação. Essa ineficiência, que nutre a cultura da impunidade, faz com que criminosos se sintam à vontade para elaborar esse plano macabro de execução de Freixo. A planejada barbárie vulnerabiliza também a nossa já frágil democracia: a trama letal seria praticada em agenda pública do nosso parlamentar no próximo fim de semana. O livre exercício do mandato é atingido, e isso é inaceitável.

A bancada federal do PSol repudia esta trama, exige redobrada proteção a Marcelo Freixo, inclusive em Brasília, e cobra resultados da investigação que vitimou Marielle e Anderson. Exigirá agora providências do atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungman, e, a partir de 1º de janeiro, das novas autoridades da República, notadamente o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. A responsabilidade pela proteção a Freixo e a tantos defensores de direitos humanos ameaçados é do Estado brasileiro.

O hediondo plano de execução de Freixo é a urdidura de um atentado contra o Estado Democrático de Direito. Merece repúdio de todos os que prezam pelos mais elementares princípios civilizatórios. E ação efetiva para evitar que tais tramas – de absurda continuidade – continuem a ser articuladas.

Chico Alencar, líder do Psol na Câmara dos Deputados
Brasília, 13 de dezembro de 2018″

 

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