PF faz operação contra fraude que desviou R$ 94 milhões dos Correios

Agentes cumprem nesta terça-feira 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo

atualizado 04/08/2020 9:51

A nota enviada afirma que a proposta de acordo apresentada almeja suspender benefícios incompatíveis com a situação econômica da instituição e do país.Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (4/8) a operação Postal Off II, com o objetivo de desarticular organização criminosa que subfaturava valores devidos à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).

São cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Praia Grande e São Vicente (SP), em São Paulo, e no Rio de Janeiro (RJ), em residências de investigados e sedes da EBCT.

Também foram expedidos mandados de afastamento de funcionários dos Correios das funções e deferidas medidas cautelares diversas da prisão, que determinam aos investigados restrições ao direito de ir e vir, sob pena de decretação de prisão.

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O bando criminoso ainda desviava para si grandes clientes no segmento de postagem de cartas comerciais. Esta é a segunda fase da operação, que foi inicialmente desencadeada em setembro do ano passado.

A investigação, iniciada em novembro de 2018 em Santa Catarina, em razão do primeiro indício de crime encontrado, evidenciou forte atuação do grupo em São Paulo e no Rio de Janeiro, o qual contava com a participação ativa de funcionários dos Correios.

Os trabalhadores faziam com que grandes cargas de seus clientes fossem distribuídas no fluxo postal sem faturamento ou com faturamento muito inferior ao devido.

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Foram identificados indícios de participação de um empresário titular de agências franqueadas dos Correios e de sete funcionários da empresa pública, que atuavam auxiliando nas postagens ilegais e subsidiando interesses empresariais do grupo criminoso.

Dados obtidos durante a investigação indicam que a organização criminosa causou um prejuízo ao patrimônio público estimado em R$ 94 milhões.

“A recuperação desses valores se encontra parcialmente garantida pelas medidas cautelares deferidas judicialmente na primeira fase da operação, que levaram ao bloqueio de bens dos investigados em valor aproximado de R$ 55 milhões, entre os quais carros de luxo, um iate, um avião, imóveis de alto padrão e contas bancárias com altos valores em depósito”, detalhou a PF, em nota.

Em ambas as fases, a investigação contou com a colaboração da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Os investigados foram indiciados por corrupção passiva e ativa, estelionato, violação de sigilo funcional e formação de organização criminosa.

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