PF busca “coiote” que envia famílias brasileiras para os EUA

Ao entrar nos Estados Unidos, vítimas eram separadas dos pais e ficavam em abrigos mantidos pelo governo americano

atualizado

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1 de 1 Michael Melo/Metrópoles - Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (18/7) a terceira fase da Operação Piratas do Caribe para desarticular o ramo internacional de uma rede de “coiotes” responsável pelo envio ilegal de adultos, crianças e adolescentes aos Estados Unidos. A ação é resultado de uma cooperação com a Bahamas e EUA, contando com o apoio a agência de imigração americana, a ICE (Immigration and Customs Enforcement). No Brasil, a operação é conduzida pela PF em Rondônia.

São cumpridos dois mandados de prisão e três de buscas e apreensão no Brasil e no exterior. Uma das prisões tem como alvo o principal “coiote” envolvido no envio ilegal de crianças e adolescentes aos EUA por meio da prática conhecida como “cai cai”.

Nesse modelo, segundo a PF, o “coiote” promove o “ingresso de adultos ilegalmente acompanhados de crianças ou adolescentes”.”Devido a política de tolerância zero do atual presidente americano, Donald Trump, essas crianças eram separadas de seus pais e mantidas em abrigos do governo.

De acordo com a PF, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 25 milhões ao enviar anualmente cerca 150 adultos e 30 crianças aos EUA.

Os mesmos alvos também são investigados pelo desaparecimento de 12 brasileiros que tentavam a travessia de barco entre as Bahamas e EUA.

No curso da investigação, foi ainda constatado que muitos brasileiros transportados pelo grupo acabaram morrendo enquanto tentavam a travessia – inclusive com suspeita de assassinatos.

Histórico
A Operação Piratas do Caribe iniciou suas investigações para apurar o desaparecimento de um brasileiro ao tentar ingressar nos EUA.

A PF descobriu que os imigrantes ficavam em cidades com aeroportos internacionais até receberem a ordem de embarque para as Bahamas – facilitada por um agente de imigração.

No país caribenho, os imigrantes aguardavam vários dias para tentar fazer a travessia de barco e assim ingressarem clandestinamente nos Estados Unidos.

“Além de todos os conhecidos riscos que envolvem a imigração ilegal para outros países, os coiotes escondiam os reais perigos envolvidos na travessia como a passagem pela região do Triângulo da Bermudas, famosa pelo alto índice de tempestades, naufrágios e desaparecimento de embarcações e aeronaves”, diz nota da PF divulgada nesta quarta-feira (18).

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