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A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Renato e Aline Openkoski, pais do bebê Jonatas, de 1 ano e 8 meses, na manhã desta quinta-feira (1º/3) em Joinville, Santa Catarina.

O casal recebeu mais de R$ 4 milhões em doações para custear o tratamento do filho, que tem uma doença degenerativa rara. A polícia investiga se os pais de Jonatas teriam usado indevidamente parte do dinheiro arrecadado.

Na casa da família foram apreendidos um carro avaliado em R$ 140 mil, uma moto, alianças, relógios, notas de compras de R$ 4 mil na loja Colcci, perfumes, maquiagens. Além disso, de acordo com a delegada que comandou a investigação, Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, a polícia confiscou “vários objetos que foram doados durante a campanha de arrecadação de recursos para serem leiloados ou rifados, e que nunca foram”, disse.

Também foi apreendida uma arma de brinquedo, a qual Renato teria usado para aparecer em fotos e intimidar pessoas que o estavam questionando sobre a destinação do dinheiro.

A investigação
O casal começou a ser alvo de investigação após denúncias de parentes, vizinhos e doadores que começaram a notar alterações no padrão de consumo dos Openkoski. Primeiro, eles se mudaram para uma casa maior e compraram celulares caros. Além disso, um carro novo apareceu na garagem: um Sportage avaliado R$ 140  mil.

Em audiência no Ministério Público, ficou acertado que o dinheiro arrecadado seria transferido para uma conta judicial, e o casal se comprometeu a apresentar planilhas para justificar cada despesa – o que nunca foi feito.

No fim de 2017, veio o estopim: Aline e Renato publicaram fotos na internet em que apareciam comemorando o Réveillon em Fernando de Noronha. Em uma das imagens, eles estão numa festa cujo ingresso custava em torno de R$ 1,9 mil.

O caso Jonatas
O filho de Renato e Aline, Jonatas, nasceu com uma doença muito grave, a atrofia muscular espinhal (AME). Sua condição foi diagnosticada no começo de 2017. Na época, o tratamento era caríssimo: as doses iniciais do medicamento que o bebê precisava iriam custar R$ 3 milhões.

Os pais começaram, então, uma campanha e, com o apoio de famosos, conseguiram superar o objetivo inicial de arrecadação.

Antes disso, ele era palestrante evangélico, e ela tinha abandonado a faculdade de direito por causa da gravidez.