PM suspeito de matar mulheres já respondia por morte de mulher trans
Luiz Gustavo Xavier do Vale estava afastado preventivamente das ruas desde 2022, exercendo funções internas. Caso segue sendo investigado
atualizado
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O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que está preso sob suspeita de matar um casal de mulheres a tiros na manhã de quarta-feira (8/4), no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica (ES), estava afastado de atividades operacionais desde julho de 2022, por ser réu pela morte de uma mulher trans, conhecida como Lara Croft, de 34 anos, no bairro Alto Lage, no mesmo município.
As vítimas mais recentes foram identificadas como Daniele Toledo Rocha, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, cuja idade não foi divulgada. O caso ocorreu por volta das 10h30, na Rua Cinco de Maio.
Segundo informações preliminares, Luiz Gustavo, que é cabo da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), foi chamado pela ex-companheira para resolver uma discussão entre ela e as vítimas. Todas moravam no mesmo prédio, em andares diferentes. A ex do militar não teve a identidade revelada.
Laudo contraria depoimento
No caso de Lara Croft, a corporação informou que, durante patrulhamento, o cabo e outro PM abordaram uma mulher trans e um homem por suspeita de atitude suspeita. Segundo a corporação, os dois teriam resistido à abordagem.
De acordo com a versão dos militares, Lara tentou agredir os policiais, sacou um barbeador da bolsa e ainda tentou pegar a arma de um dos militares. Diante da situação, o militar reagiu e efetuou disparos.
O laudo da perícia da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), no entanto, diverge da versão de Luiz Gustavo, já que mulher trans foi atingida na mão esquerda, no peito, no pescoço, no rosto e nas costas.
O comandante-geral da PMES, coronel Ríodo Rubim, afirmou que o caso foi tratado com rigor.
Segundo ele, o policial foi denunciado pelo Ministério Público (MPES) e a Justiça aceitou a denúncia. Na época, o cabo já não atuava mais nas ruas e exercia função interna.
Possível abandono de posto
O cabo trabalhava como guarda em uma companhia em Itacibá e, após deixar o posto para ir até o local da ocorrência, passou a ser investigado.
Na esfera administrativa, a PMES informou que abrirá inquérito para apurar possíveis infrações, como abandono de posto e uso indevido de viatura.
O comandante disse ainda que o policial está sendo ouvido pela Corregedoria e que todos os detalhes do caso serão apurados. Os nomes dos outros militares presentes no episódio dessa quarta-feira não foram divulgados.
Entenda o recente caso de duplo homicídio
- Após ter sido chamado pela ex, Luiz Gustavo foi até o local em uma viatura, acompanhado de outros policiais.
- O cabo estava fardado e usando um veículo oficial, mesmo estando afastado das ruas (atuando em função interna) por responder à morte de Lara Croft.
- Daniele e Francisca estavam sentadas na calçada, do outro lado da rua, quando a equipe chegou. O momento dos disparos foi registrado por câmeras de segurança.
- No vídeo, os policiais descem da viatura e, minutos depois, o cabo saca a arma e atira contra as mulheres.
- Uma das vítimas foi atingida e caiu no local. A outra tentou fugir, mas foi alcançada pelo policial, que efetuou novos disparos. Os demais militares presentes não interferiram na ação.
- Uma das mulheres morreu no local. A outra chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. As autoridades não informaram qual delas foi atendida primeiro.
- O cabo foi preso em flagrante pelos colegas. Ele teria colocado a arma no chão e se entregado. Em seguida, foi encaminhado a uma delegacia da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES).
Veja momento do crime:
Segundo a versão inicial do próprio policial, a ocorrência começou após uma discussão envolvendo a ex-esposa dele, uma criança e duas vizinhas.
O comandante informou que o flagrante está sendo lavrado e que imagens do caso serão analisadas. Até agora, os registros não indicam discussão ou agressão antes dos disparos.
O cabo foi autuado por duplo homicídio qualificado e levado ao presídio militar. O caso será julgado pela Justiça comum, já que não é considerado crime militar.
Ele vai ficar preso no quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, após prestar depoimento na Corregedoria.
A defesa do policial não foi localizada até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.










