PF sobre Vorcaro enviar PLs a Ciro Nogueira: “Convergência de interesses”
Investigação da PF aponta que fundador do Banco Master e senador do PP mantinham relação baseada em benefícios mútuos

A Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, enviava minutas de projetos de lei diretamente ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo os investigadores, a prática integraria uma suposta “convergência de interesses ilícitos, orientada pelo benefício mútuo” entre os dois.
As informações constam em documento cujo sigilo foi derrubado nesta terça-feira (16/6).
De acordo com a representação da PF, o senador teria atuado no âmbito do Senado Federal para defender interesses do banqueiro, valendo-se de sua posição institucional e influência política. Em contrapartida, Vorcaro teria oferecido vantagens indevidas ao parlamentar.
“De um lado, Ciro Nogueira Lima Filho atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses do banqueiro. De outro, Vorcaro ofereceria vantagens indevidas, materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de valores (“mesada”), na aquisição de participações societárias com expressivo deságio, bem como no custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros benefícios econômicos”, diz a representação da PF.
Colaboração entre banqueiro e senador
A atuação de Vorcaro junto ao Congresso Nacional, segundo a PF, estava ligada a propostas que poderiam favorecer diretamente seus negócios.
Entre elas, estavam medidas sobre a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a regulamentação do mercado de carbono e regras para a transição energética.
De acordo com a investigação, uma das principais evidências da relação entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira é o envio de uma minuta de emenda que ampliava a cobertura do FGC para investidores.
A proposta elevava o limite de garantia dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A emenda acabou sendo apresentada por Ciro Nogueira como um apenso a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava da autonomia financeira do Banco Central. O texto, porém, não avançou no Congresso.
Para a PF, a mudança beneficiaria o Banco Master. Isso porque uma das principais estratégias da instituição para atrair investidores era a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) cobertos pelo FGC, mecanismo que reduz o risco para quem aplica recursos no banco.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa de Ciro Nogueira, mas não obteve resposta. O portal tenta, ainda, contato com a defesa de Vorcaro. O espaço segue aberto.

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