PF indicia diretor-presidente da ANM por esquema de mineração ilegal
Mauro Henrique Moreira Sousa está entre 17 indiciados por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais

A Polícia Federal (PF) indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e outras 16 pessoas por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais. Os pedidos constam no inquérito da Operação Parcours.
A operação concluiu que empresários, servidores públicos, consultores e geólogos teriam fraudado planos de recuperação ambiental para manter a exploração de minério de ferro na Mina Granja Corumi, localizada na Serra do Curral — a área é tombada e protegida.
De acordo com a investigação, as empresas eram favorecidas por esquemas dentro da agência, segundo publicou o g1. A PF aponta que os suspeitos utilizavam planos que previam a preservação e o fechamento da mina para mascarar a extração comercial de minério.

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Ver todasOu seja, enquanto os órgãos de fiscalização acreditavam que a mina estava em recuperação ambiental, o grupo mantinha a exploração mineral no local. Com o esquema, o grupo esperava faturar cerca de R$ 2,3 bilhões.
As atividades ilegais teriam ainda causado danos ambientais na Serra do Curral. A área já sofre com a degradação ambientação em decorrência da exploração de minério e entrou no radar de ambientalistas e membros da sociedade civil que se opõem à exploração da Serra.
Em nota, a ANM informou que toda a atuação institucional da órgão “esteve relacionada ao cumprimento das determinações da Justiça Federal e à condução administrativa do processo de fechamento definitivo da mina”.
Mais pessoas indiciadas
Em uma outra frente, a PF indiciou ainda outras 34 pessoas no âmbito da Operação Rejeito, que também apura fraudes em mineração ilegal em Minas Gerais, conforme revelou o Estadão. A operação mirou empresas ligadas ao ramo do minério.
A operação foi deflagrada em setembro de 2025 e, na ocasião, cumpriu 22 mandados de prisão e outros 79 de busca e apreensão, além do afastamento de servidores públicos. À época, a PF também prendeu Caio Trivellato, diretor da ANM.
As investigações apontavam que o grupo teria corrompido servidores públicos em órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle na área ambiental e de mineração para obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas.
O empresário Alan Cavalcante do Nascimento era apontado pela PF como líder do grupo. Ele é dono de diversas empresas em diferentes ramos, inclusive uma jazida de minério na Serra do Curral.
Operação Parcours
A Operação Parcours foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março de 2023. As investigações foram conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o apoio do Ministério Público Federal (MPF).
À época, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, além do bloqueio de bens e ativos no valor de R$ 832 milhões. A 3ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais determinou ainda o afastamento imediato de dois servidores públicos da ANM e a suspensão das atividades minerárias da empresa investigada.
As investigações apuravam um conluio sistemático entre agentes públicos e consultores técnicos para maquiar informações geológicas, fraudar relatórios ambientais e ocultar danos causados pela exploração ilegal de recursos minerais.


