
PF abre inquérito sobre fraude na filiação de Flávio Bolsonaro
Investigação foi aberta após ordem de Nunes Marques e vai apurar responsável por alteração do vínculo do senador com o PL

A Polícia Federal abriu nesta terça-feira (18/8) um inquérito para investigar a suspeita de fraude na alteração da filiação partidária do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
A investigação foi aberta após um pedido do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques. A ordem chegou à Superintendência da PF no Distrito Federal na noite de quinta (13/8).
Nunes Marques determinou que a PF apure quem realizou a inclusão de Flávio no Missão, em que circunstâncias a alteração ocorreu e qual foi o contexto do lançamento no sistema.
A PF vai apurar os crimes de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações.
O caso levou o TSE a suspender temporariamente o processamento de novas filiações partidárias pelo sistema Filia. A medida foi adotada como forma de segurança enquanto o tribunal verifica alterações feitas na plataforma. Segundo a Corte Eleitoral, a interrupção não prejudica candidatos nas eleições deste ano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUma apuração interna do tribunal também identificou uma tentativa de mudança na filiação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Nesse caso, porém, a alteração não chegou a ser concluída. O TSE apura tentativas semelhantes envolvendo outros candidatos à Presidência.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasNo caso de Flávio, a mudança foi identificada na quinta (13/8), quando o senador apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão e desligado do PL. A alteração impediu, naquele momento, que o partido registrasse a candidatura dele ao Planalto.
A defesa acionou o TSE e afirmou que o senador nunca pediu para ingressar no Missão. Segundo os advogados, uma certidão emitida às 23h17 de quarta-feira (12/8) ainda mostrava Flávio regularmente filiado ao PL.
Na manhã seguinte, uma nova consulta indicava que ele havia deixado o partido e ingressado no Missão. De acordo com a defesa, a alteração ocorreu em um intervalo de menos de 11 horas.
Na portaria que comunica a abertura do inquérito, o delegado responsável pelo caso na PF determinou que o presidente do Missão seja chamado a prestar esclarecimentos, por escrito ou presencialmente, sobre a inclusão de Flávio no partido.
Vínculo desconsiderado
Nunes Marques decidiu desconsiderar a filiação ao Missão e determinou que o vínculo de Flávio com o PL, existente desde novembro de 2021, fosse restabelecido.
Com a decisão, o sistema da Justiça Eleitoral voltou a registrar Flávio Bolsonaro como filiado ao PL e excluiu de seu histórico o vínculo com o Missão. O senador conseguiu registrar sua candidatura ainda na noite de quinta.
O presidente do TSE também ordenou a preservação dos registros de acesso ao Filia e o envio do caso à PF. As medidas foram endossadas pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), que se manifestou a favor do pedido de Flávio.
No parecer, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, destacou que a suposta mudança de partido ocorreu quando o prazo para novas filiações válidas para as eleições já havia terminado.
Para a Procuradoria, a inclusão de Flávio em outro partido às vésperas do prazo para registrar a candidatura, depois de encerrado o período de filiação, “não guarda o mínimo sentido lógico-jurídico”.
Antes da decisão de Nunes Marques, o TSE já havia descartado a hipótese de invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. O tribunal informou que a filiação de Flávio ao Missão foi cadastrada por uma pessoa que utilizou credenciais da legenda.
O registro foi feito no Filia, sistema usado pelos partidos para informar à Justiça Eleitoral a entrada e a saída de seus filiados. A inclusão no Missão provocou automaticamente o encerramento do vínculo de Flávio com o PL.
O que diz o Missão
O Missão afirmou que considera irregular a filiação. Em nota, o partido disse ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro” e informou que entregaria às autoridades os dados relacionados ao episódio.
O presidente nacional do Missão e candidato da legenda à Presidência, Renan Santos, afirmou ao Metrópoles que o partido também abriria uma apuração interna. “A última coisa que a gente quer é o Flávio Bolsonaro filiado à Missão”, disse.



