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A Polícia Federal, sob a supervisão do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, deflagrou na manhã desta sexta-feira (28/9) a operação Cash Delivery visando apurar pagamentos indevidos de valores a agentes públicos no estado de Goiás. As investigações, de acordo com a PF, constataram repasses superiores a R$ 10 milhões em 2014.

O principal alvo da operação é o tucano Marconi Perillo (PSDB-GO), candidato ao Senado e ex-governador de Goiás. As investigações incluem registros de entregas de dinheiro vivo, em 2104, destinadas ao ex-governador, somando mais de R$ 10 milhões, originados da Odebrecht.

Por ser candidato às eleições de 2018, a lei eleitoral não permite que Marconi Perillo seja preso entre 15 dias antes e dois dias após o pleito, conforme destacado pelo Ministério Público Federal (MPF) em nota.

A PF prendeu Jayme Rincón, coordenador de campanha do atual governador, José Eliton (PSDB), que disputa a reeleição.

Estão sendo cumpridos no total 14 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária, expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal de Goiás, nas cidades de Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Pirenópolis (GO), Aruanã (GO), Campinas (SP) e São Paulo (SP).

As investigações conduzidas pela corporação validaram o conteúdo das colaborações premiadas de executivos Odebrecht realizadas junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os envolvidos, entre eles empresários, agentes públicos e doleiros, responderão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Outro lado
A defesa do ex-governador disse em nota “explicitar o mais veemente repúdio à ação deflagrada” nesta sexta. Ao fazer menção à delação da Odebrecht envolvendo fatos ocorridos entre 2010 e 2014, a defesa diz ser “evidente” que os fatos devem ser apurados. “E a defesa não tem nenhuma preocupação com a investigação. A palavra do delator é isolada e não há, sequer en passant, qualquer fiapo de indício contra o Marconi Perillo”, afirma a nota.

A busca e apreensão na residência do ex-governador a nove dias da eleição, segundo afirmou a defesa do político, assume “um caráter claramente eleitoreiro e demonstra um abuso por parte do Ministério Publico e do Poder Judiciário”.

“É, sem dúvida, uma clara interferência, indevida e perigosa, contra a a estabilidade democrática. Os fatos citados pelo delator, sem provas, se referem a questões antigas. A falta de contemporaneidade, já decidiu várias vezes o Supremo Tribunal,é impeditivo de prisões e qualquer outra medida constritiva contra qualquer cidadão”, afirma a inda a nota.

A defesa afirmou ainda ser importante esclarecer que não é verdade que Perillo teve mandado de prisão decretado, mas de busca e apreensão. “E esta medida, neste momento, já é uma grave agressão. Uma violência inexplicável ao estado democrático de direito”, conclui.