Periferia de SP tem idade média ao morrer 23 anos menor do que bairro nobre

Mapa da Desigualdade 2020 mostra que idade média ao morrer do Jardim Ângela é de 58,3 anos, enquanto no Jardim Paulista é de 81,5 anos

atualizado 29/10/2020 17:00

São Paulo – A idade média ao morrer em 2019 no bairro Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, foi de 58,3 anos. No Jardim Paulistano, área nobre da zona oeste da cidade, um morador tem idade média ao morrer 23 anos mais alta: 81,5 anos. As duas regiões estão separadas por 18 quilômetros – e uma imensa desigualdade social.

É o que mostra o Mapa da Desigualdade 2020, divulgado nesta quinta-feira (29) pela Rede Nossa São Paulo e Instituto Cidades Sustentáveis, que promovem a pesquisa utilizando fontes públicas e oficiais dos 96 distritos da cidade. Seu objetivo é estabelecer diretrizes para combater a desigualdade e promover uma cidade sustentável e justa.

Guilherme Boulos visita a comunidade Vietnã, em São Paulo
A periferia de São Paulo ainda carece de condições básicas como saneamento. Na foto, esgoto a céu aberto na comunidade Vietnã

Para Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, “a desigualdade não tem caído na proporção da sua importância”. Para Abrahão o compromisso em reduzir as distâncias sociais dentro da cidade de São Paulo deveria ser uma política de estado.

O lançamento da pesquisa, que ocorreu de forma virtual, teve a presença dos candidatos a prefeito Bruno Covas (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Márcio França (PSB) e Jilmar Tatto (PT). O candidato Celso Russomanno (Republicanos) não compareceu, porque fez uma caminhada de campanha em Cidade Tiradentes.

Aos candidatos, Jorge Abrahão chamou a atenção para a disparidade de idade média ao morrer do Jardim Ângela e do Jardim Paulistano.

“Idade média ao morrer não é o mesmo que expectativa de vida. É a idade média em que pessoas que moram num determinado distrito morrem. Mas esse indicador resume as desigualdades sociais na cidade de São Paulo. Essa diferença de 23 anos acontece porque no Jardim Ângela as condições de saúde, de habitação, de acesso a saneamento, de educação e de renda são muito mais precárias. E isso resulta em violência, em homicídio de jovens negros”, afirmou Abrahão.

Neste sentido, o coordenador sugeriu que uma grande meta para o futuro prefeito da cidade seja a de que essa diferença diminua pela metade (11,5 anos) em quatro anos.

Todos os candidatos presentes assinaram uma carta de compromisso elaborada pela Rede Nossa São Paulo, que reivindica que o combate a desigualdade se torne política de estado.

Diferenças sociais

O Mapa da Desigualdade é produzido desde 2012 e este ano trouxe outros dados que retratam as diferenças sociais distantes entre diferentes regiões de São Paulo.

Segundo a pesquisa, apenas 2% do lixo produzido na cidade é recolhido de forma seletiva. Na Vila Mariana, bairro de classe média, 10,6% dos resíduos vão para a reciclagem; no Itaim Paulista, periferia, apenas 0,3%.

No âmbito do transporte, 45,5% das famílias paulistanas não possuem carro. O tempo de deslocamento para o trabalho é de, em média, 56,2 minutos. No entanto, moradores de Marsilac, extremo sul, gastam uma média de 124,7 minutos para chegar ao trabalho.

Na saúde, em 2019, 47% das internações poderiam ter sido evitadas com atendimento primária de saúde, na entrada no sistema, isto é, nas unidades básicas de saúde. Os dados mostram que em Jaçanã, na zona norte do município, 77,7% das internações eram evitáveis, número 17 vezes maior que o de Moema, no centro-sul, que registrou uma taxa de 4,5%.

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