Pelados e sem máscaras: casais de swing lamentam fechamento de boate no RJ

Ponto de encontro de casais em busca de sexo, boate na zona oeste carioca foi fechada por tempo indeterminado pela Prefeitura do Rio

atualizado 21/07/2021 21:45

Festa clandestina encerrada em casa de swing na Barra da Tijuca, zona oeste do RioDivulgação / Seop

O isolamento ficou em segundo plano para um grupo de adeptos do swing que seguiu marcando presença em festas com trocas de casais na cidade do Rio de Janeiro. Um dos pontos de encontro dessa turma, a casa noturna Asha Club, na Barra da Tijuca, acabou interditada na última sexta-feira (16/07). Por lá, os fiscais encontraram cerca de 300 pessoas.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) informou que o estabelecimento foi multado e interditado pela Vigilância Sanitária por tempo indeterminado.

Uma reportagem de Ricardo Senra, da BBC Brasil, retratou a tristeza dos frequentadores do local com o fim das festas de swing pelas próximas semanas. Apesar do receio pela progressão da Covid, eles reconhecem a dificuldade de conciliar a troca de casais em relações sexuais com a proteção exigida contra o coronavírus.

“Ninguém usava [máscara], eu só levava na bolsa mesmo. Ninguém pensa nisso na hora. Eu particularmente não penso, é o tempo todo abaixando máscara, tirando máscara, máscara cai, pega a máscara de volta… A vontade, o gostar, o desejo e o prazer — essas coisas falam mais alto para mim do que o distanciamento”, disse uma frequentadora da boate carioca, que preferiu não se identificar.

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Ela descreve o comportamento no local: “Pra ser sincera, acho que não tem como fazer swing na pandemia. Eu não respeito isso, mas acho que não tem como [fazer] de forma alguma, nem se diminuir a capacidade [da casa], nem se usar álcool, porque as coisas são muito frenéticas lá dentro. O beijo rola o tempo todo, as mãos, o sexo”.

A mulher encara o fechamento da boate com resignação, fé no futuro e, claro, na vacina. “Eu não gostei (do fechamento), mas a gente tem que aceitar”, avalia. “É a minha diversão e a de muita gente, mas acho que eles estão certos. E a vacina já está aí, daqui a pouco a gente vai tomar, vai ficar tudo bem, aí volta tudo de novo.”

Outra frequentadora reconheceu o risco de ir a uma festa de swing em plena pandemia. Ela disse que, em função de seu trabalho, faz testes de Covid com regularidade, a cada três dias. “(Por isso) quanto a mim, eu sempre estive despreocupada. Mas é claro que você tem aquela preocupaçãozinha com os outros, mas não deixa de ir, né? Eu acho que a gente devia se preocupar sim, mas a realidade é que a gente não se preocupa. Depois que está lá dentro, a gente meio que esquece.”

Um decreto da Prefeitura do Rio, em vigor desde 8 de julho, proíbe o “funcionamento de boates, danceterias e salões de dança” na capital, motivo pelo qual a Asha Club foi interditada.

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