PCDF diz que Patrícia Lélis mentiu sobre supostas ameaças de Eduardo Bolsonaro

Relatório da polícia aponta denunciação caluniosa por parte da jornalista, que alegou ter sido injuriada e ameaçada por meio de mensagens

atualizado 12/10/2021 14:38

7 de setembro protesto brasil brasilia bolsonaro stf helicoptero esplanada DF 6Igo Estrela/Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) entregou o relatório final da investigação aberta para apurar se a jornalista Patrícia Lélis mentiu ao dizer que foi ameaçada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). De acordo com o documento, ela apresentou uma denúncia falsa contra o filho do presidente da República.

“Constatou-se, conforme Laudo Pericial, a existência de indícios de simulação na conversa que conteriam as palavras ameaçadoras atribuídas a Eduardo Bolsonaro, bem como pela impossibilidade de se afirmar que o autor de tais dizeres criminosos seria, de fato, o titular da linha telefônica constante no cabeçalho das mensagens, no caso, o imputado”, diz um trecho do relatório.

A acusação foi feita a partir de mensagens que teriam sido trocadas com Eduardo, em 2019, quando ela trabalhava no PSC, antigo partido do deputado. Segundo Patrícia, o parlamentar publicou em uma rede social que os dois estavam namorando e, quando ela negou o relacionamento, ele teria dito que “iria acabar com a vida dela e que ela iria se arrepender de ter nascido”. A perícia apontou “indícios de simulação”.

Leia a íntegra do relatório:

Relatório final PCDF by Metropoles on Scribd

Em nota, a advogada Karina Kufa, que representa Eduardo, disse que “isso prejudica até mesmo a causa das mulheres que são, de fato, vitimas de violência”. “Muitas vezes a demora da aparição da verdade pode prejudicar inocentes”, continuou.

“Houve precipitação do Ministério Público em apresentar denúncia, sem provas, contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, pouco antes das eleições de 2018. As acusações estavam fundamentadas apenas em declarações falsas da ré Patrícia Lellis e em montagens de mensagens de celular. Isso causou danos à imagem do deputado, que mesmo sendo o parlamentar mais votado, perdeu votos com a acusação falsa”, diz o texto.

Nas redes sociais, Patrícia comentou o assunto. “Em 2019 Eduardo Bolsonaro me ameaçou, o processo nunca teve andamento até o papai ganhar as eleições. Eduardo se recusou a entregar o celular para polícia federal, queria que eu entregasse o meu celular para um perito particular, o que é surreal e eu jamais faria”, escreveu.

Entenda

Em um primeiro momento, a investigação buscou analisar se houve abuso do deputado, conforme a versão de Patrícia. A denúncia foi arquivada em 2019 pela Justiça de Brasília, que considerou não haver provas suficientes para abrir uma ação penal contra Eduardo.

Na segunda etapa, os policiais puseram à prova a narrativa de Patrícia, que passou de vítima à investigada. O delegado afirma que ela cometeu o crime de denunciação caluniosa.

“Com base em todos os elementos de informação colhidos durante investigação, verificam-se a existência de autoria e materialidade delitiva que indicam que o indiciada praticou o crime de denunciação caluniosa, uma vez que, de maneira dolosa, imputou falso crime a Eduardo Nantes Bolsonaro, fato esse que deu ensejo a instauração de processo criminal contra quem a indiciada sabia ser inocente”, afirma o relatório.

Agora, o relatório da PCDF é enviado à autoridade judicial competente – a Justiça de Brasília – para que o juiz peça manifestação do Ministério Público. O MP pode denunciá-la ou arquivar o caso.

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