Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Pautas-bomba: Durigan cobra responsabilidade fiscal do Congresso

Senado aprovou matérias de forte impacto fiscal sobre contas públicas. Contra as pautas-bomba, governo estuda acionar o STF

12/06/2026 11:06, atualizado 12/06/2026 11:07
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Pautas-bomba: Durigan cobra responsabilidade fiscal do Congresso

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, cobrou responsabilidade fiscal do Congresso Nacional nesta sexta-feira (12/6). Em entrevista à Rádio Nacional, o titular da pasta econômica reforçou a possibilidade de o governo federal recorrer à Justiça para contestar as pautas-bomba, mas afirmou que o Legislativo precisa ter responsabilidade com o orçamento.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
“O Congresso é soberano, e a tramitação do tema precisa observar esses requisitos. Por exemplo, se o presidente da República quer mandar um projeto de lei que reajusta o salário do servidor, […] temos de fazer as contas e mostrar qual é o impacto desse aumento e como isso vai ser compensado no futuro. O Congresso deveria fazer o mesmo”, avaliou.

Nesta semana, o Senado Federal deu andamento a três pautas de forte impacto fiscal, apesar dos pedidos da equipe econômica do governo para segurar a votação dos projetos.

Em resposta, logo após as medidas Durigan disse que não descartava a judicialização dos projetos pois estes iriam contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O ministro refirmou a possibilidade nesta sexta. “Claro que a gente tem que vencer as etapas do Congresso, em especial evitando que se votem medidas ruins, mas caso seja necessário, o governo irá, sim, ao Supremo Tribunal Federal, inclusive na linha do que a gente já tem de decisões anteriores do Supremo, exigindo que as regras fiscais sejam obedecidas pelo governo, mas também pelo Congresso“, declarou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

As pautas-bomba

  • PL 5.122/2023: cria uma linha especial para a renegociação de dívidas rurais com o uso de recursos provenientes da exploração do pré-sal e outros fundos do Executivo. Aguarda deliberação na Câmara. Impacto: R$ 140 bilhões;
  • PEC 14/2021: concede uma aposentadoria diferenciada para agentes de saúde e fomenta a regularização de terceirizados. Aguarda deliberação no plenário. Impacto: R$ 30 bilhões;
  • PEC 5/2023: amplia isenção tributária para aquisição de bens e serviços necessários para implantação, manutenção e funcionamento das entidades religiosas e organizações ligadas a elas. Aguarda despacho da presidência do Senado. Impacto: R$ 100 bilhões;
  • PL 1.365/2022: reajusta o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas para R$ 13.662 com jornada de 20h semanais e aumenta o adicional por trabalho noturno e horas extras em 50%. Segue para a Câmara, a não ser que senadores apresentem recursos para analisá-la em plenário. Impacto: R$ 47 bilhões.

A medida pode tensionar ainda mais a relação do governo com o Congresso Nacional, especialmente no Senado, onde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu derrotas em consequência do relacionamento do petista com o presidente da Casa, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Durigan afirmou ainda que, além do impacto fiscal sobre as contas públicas, há receio sobre o prejuízos aos próprios eleitores. De acordo com o ministro, a medida que prevê revisões na dívida rural, para agricultores, pode prejudicar o próprio agricultor.

“Se aprova uma medida que diz que todos os bancos do país têm que oferecer crédito a um juros tabelados para o agronegócio. Os bancos não são obrigados a oferecer crédito. O banco pode dizer o seguinte, ‘ok, eu tenho que oferecer nesse limite aqui, eu não vou dar’. Então o que pode acontecer é restrição de crédito para o agronegócio. E é o que eu estou querendo evitar”, declarou Durigan.