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A pedido da Força-Tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo, a 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo determinou a prisão preventiva de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa na gestão do PSDB. Apontado como operador do partido em esquema de desvio de recursos, ele foi preso na manhã desta sexta-feira (6/4).

Em 22 de março, a Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo ofereceu denúncia contra Paulo Vieira de Souza, José Geraldo Casas Vilela e mais três por terem desviado recursos, em espécie e em imóveis, entre os anos de 2009 e 2011, no total de R$ 7,7 milhões (valores da época).

A quantia seria destinada ao reassentamento de pessoas desalojadas pela Dersa para a realização das obras do trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal Tietê, na região metropolitana de São Paulo.

A denúncia foi aceita e os réus respondem pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e inserção de dados falsos em sistema público de informação.

Contas fora do Brasil
Em fevereiro deste ano, autoridades suíças encontraram R$ 113 milhões em quatro contas no país europeu em nome de Paulo Vieira de Souza. Ele foi diretor da estatal paulista entre 2007 e 2010.

As informações sobre as contas em nome de Souza estavam na decisão em que a juíza federal Maria Isabel do Prado autorizou o bloqueio do montante e o estabelecimento de uma cooperação internacional entre o Ministério Público Federal e a Suíça para recuperar os valores.

“Constam nas informações que, em 7 de junho de 2016, as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a 113 milhões de reais, convertidos na cotação atual”, diz despacho de magistrada.

As contas, abertas no banco Bordier e Cie, estão vinculadas a uma off-shore panamenha chamada Groupe Nantes. De acordo com a decisão, o dinheiro teria sido mantido na instituição suíça até fevereiro de 2017, quando foi transferido para o Deltec Bank and Trust Limited, sediado em Nassau, nas Bahamas.

No documento, a juíza citou informações do MPF sobre a redução do patrimônio declarado de Souza, de R$ 4 milhões, em 2014, para R$ 2,8 milhões em 2017. Essa diminuição indicaria “desfazimentos de bens a fim de evitar eventual ressarcimento ao erário”. Outro trecho do despacho afirmou que, entre 2009 e 2010, na época diretor da Dersa, Souza efetuou transações acima de R$ 2,5 milhões, incompatíveis com seu patrimônio.

Com a palavra, Paulo Vieira
A defesa do engenheiro Paulo Vieira de Souza informou que a prisão do ex-diretor de Engenharia do Dersa não tem qualquer relação com a Lava Jato. “Foi decretada no âmbito de processo sobre supostas irregularidades ocorridas em desapropriações para construção do Rodoanel Sul”, informam os advogados Daniel Bialski e José Roberto Santoro.

No entendimento dos defensores, a ordem de prisão do ex-diretor da Dersa foi uma medida “arbitrária, sem fundamentos legais, além de desnecessária diante do perfil e da rotina do investigado, sempre à disposição da Justiça”.