Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Para juízes e analistas, colocar Justiça na "caixinha" é um risco

Magistrados criticam declarações de Ciro Gomes. Presidenciável do PDT afirmou em entrevista que Lula só sairá da cadeia se ele for eleito

25/07/2018 11:45, atualizado 25/07/2018 13:11
VINÍCIUS SANTA ROSA/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
Ciro Gomes (PDT) em lançamento de sua pré-candidatura à presidência. Ele aparece sério, secando a testa com um pano, de terno em meio ao público - Metrópoles

As declarações do candidato à Presidência do PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes, de que “é necessário restaurar a autoridade do poder político”, fazendo com que juízes e o Ministério Público voltassem para suas “caixinhas”, foram criticadas por juízes e analistas nesta quarta-feira (25/7). Para eles, as falas do pedetista põem em risco a independência do Judiciário.

“Isso faz parte da reação de parcela da política ao trabalho de juízes independentes. O mundo político precisa entender que o país precisa e quer trilhar outro caminho”, avalia Fausto De Sanctis, desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Em entrevista concedida ao programa Resenha, da TV Difusora, no Maranhão, no dia 16 deste mês, o candidato do PDT afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, só teria chance de sair da cadeia se ele [Ciro] fosse eleito.

“Só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”, afirmou Ciro. O postulante ao Planalto tentava explicar a estratégia do PT em insistir na candidatura de Lula – mesmo após a condenação em segunda instância da Justiça e, consequentemente, prisão.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Durante o quinto fórum da série A Reconstrução do Brasil, as declarações repercutiram. “Se ele fizer isso, ele segue o caminho da Venezuela e de outros países totalitários. Mas parto da hipótese de que o Brasil já escolheu a via democrática”, diz a economista Maria Cristina Pinotti.