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O depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro não apenas fechou o cerco ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como escancarou o racha no PT sobre quem encarnará o “plano B” para a eleição de 2018, caso ele seja impedido de entrar na disputa. Embora os petistas não admitam em público a possibilidade de a candidatura Lula ser inviabilizada politicamente ou juridicamente, há grande temor entre alguns dirigentes de que Palocci tenha reunido provas ou indícios do que contou ao juiz Sérgio Moro na última quarta-feira (6/9).

Segundo apurou o Estado, se fechar um acordo de delação premiada, Palocci detalhará, com provas, a movimentação financeira de campanhas eleitorais petistas e indicará quando e onde valores foram entregues ao partido e quem foi o responsável pela operação. Ao contrário do que dizem dirigentes do PT e apoiadores de Lula, um advogado e dois amigos de Palocci afirmaram que ele está “lúcido”, “sereno” e “aliviado” com a confissão a Moro.

Há ainda a possibilidade de os relatos de Palocci serem corroborados pelo sucessor dele na Fazenda, Guido Mantega, que também negocia uma colaboração. Ao assumir para Moro que era o “Italiano” nas planilhas da propina da Odebrecht, petista fez as investigações avançarem diretamente rumo ao ex-presidente e complicou ainda mais a situação jurídica e política dele.

Nos bastidores, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad seria o preferido de Lula para concorrer ao Planalto caso ele próprio seja inviabilizado. Há dúvidas, porém, se Haddad terá a “coragem” suficiente, nas palavras de um dirigente, para dar as costas ao discurso ético e defender o partido, um dos mais implicados no maior caso de corrupção da história do País, o dos desvios na Petrobrás. Alguns petistas acham que Haddad pode até apresentar reservas em defender Lula na intrínseca relação de amizade e troca de favores com empreiteiros já condenados pela Justiça.

Além disso, Haddad é definido por integrantes da cúpula do PT como “Dilma de saia”. Trata-se de uma referência ao que muitos classificam como falta de jogo de cintura política da presidente cassada Dilma Rousseff. Na avaliação de dirigentes da sigla, principalmente os alinhados à tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), tanto Haddad quanto Dilma são “incontroláveis”.

A favor de Haddad, no entanto, pesa a opinião de Lula, que vê numa eventual candidatura do ex-prefeito condições de produzir um discurso sob medida para a classe média e a juventude desencantada.

‘Perseguição’. A atual estratégia do PT, no entanto, ainda consiste em embalar a pré-campanha de Lula com a narrativa de que ele é vítima de “perseguição política”. Na quarta-feira, o ex-presidente será ouvido novamente pelo juiz Sérgio Moro – que já o condenou no caso do triplex -, desta vez no processo referente a propinas pagas pela Odebrecht.

A ideia do partido é bater na tecla de que, se Lula não puder ser candidato, a eleição de 2018 não terá legitimidade.

Para desestimular Haddad de disputar voos mais altos, um grupo do PT ofereceu a ele a candidatura ao Senado. Discípulos do fogo amigo contra o ex-prefeito dizem, ainda, que o ex-ministro Jaques Wagner – hoje secretário estadual na Bahia – tem mais “perfil” para entrar no lugar de Lula, se for preciso.

“O plano A é Lula e não existe essa história de plano B”, diz Haddad, sempre que é questionado sobre o assunto. “O foco do PT, agora, deve ser lutar pela revisão da sentença que o condenou injustamente e descaracterizar o depoimento de Palocci, que não tem fundamento”, afirma o ex-prefeito.

A avaliação, no entanto, é de que Palocci não teve a mesma “estatura moral” que o ex-ministro José Dirceu e os ex-tesoureiros do partido Delúbio Soares e João Vaccari Neto, que mesmo depois de presos não “entregaram” colegas. Para petistas, Palocci agiu de caso pensado para construir um discurso que agradasse ao Ministério Público e Moro e, assim, agilizar as negociações do acordo.

Expulsão. No PT já surgiram algumas vozes pedindo a expulsão do ex-ministro, mas a cúpula do partido afirma que o assunto não foi discutido e que, se entrar em pauta oficialmente, vai obedecer a todos os trâmites com a garantia da ampla defesa.

“Há uma troca de mensagens nas redes sociais entre militantes e dirigentes discutindo o momento mais oportuno para uma expulsão. Não deve demorar. Existe um consenso se formando”, afirmou o deputado estadual José Américo (SP). Para o deputado, ao assumir a postura de delator, Palocci está dando “adeus” à política.

A reação será manter a mobilização de apoio ao petista nas ruas. O próximo passo será mobilizar a militância para dar uma demonstração de apoio a Lula em Curitiba na próxima quarta-feira quando ele estará novamente cara a cara com o juiz Sérgio Moro.

1ª instância. A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e o ex-ministro Aloizio Mercadante por obstrução à Lava Jato será encaminhada à primeira instância da Justiça Federal, por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (SFT).

Relator do inquérito, Fachin contrariou o pedido do procurador, que queria o processo no STF. O ministro determinou a remessa do caso à Justiça Federal do Distrito Federal, por não haver autoridade com foro privilegiado entre os denunciados. As defesa de Lula, Dilma e Mercadante negam a acusação.

 

 

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