Palácio do Planalto tem dobro da taxa de contaminação por Covid do país

No total, 555 funcionários foram diagnosticados com a doença desde o início da pandemia – 150 no primeiro semestre de 2021

atualizado 03/07/2021 19:15

Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

O Palácio do Planalto registrou 150 casos de Covid-19 entre janeiro e junho de 2021, número que se soma aos 405 contabilizados durante todo o ano de 2020. As informações foram passadas ao Metrópoles pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em resposta a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação.

Segundo a Secretaria-Geral, o universo atual de servidores do Planalto é de 3.213 pessoas – no mês de maio de 2021, 563 estavam em trabalho remoto.

A taxa de infecção no Planalto é de 17,2%, o dobro da taxa de contaminação na população brasileira. Com estimativa de 212,8 milhões habitantes, o Brasil contabiliza 18,6 milhões de casos desde o início da pandemia, o que representa cerca de 8,7% do total.

Os primeiros registros de contaminação pelo coronavírus no Planalto ocorreram em março de 2020. O mês com a maior incidência foi julho do ano passado, com 112 casos. Já em 2021, março lidera o índice, com 48.

Abaixo, veja relação de casos de Covid-19 registrados no Planalto por ano e por mês:

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não é adepto de medidas de distanciamento social e uso de máscara. Como reflexo dessa postura, funcionários do edifício são vistos frequentemente sem a proteção facial, mesmo aqueles que trabalham no atendimento direto ao público.

Em nota, a Secretaria-Geral afirmou que, desde o início da pandemia, “adotou medidas para garantir a segurança dos frequentadores do Palácio do Planalto, diminuindo drasticamente o fluxo e trânsito de pessoas no local”.

“Ainda em março de 2020, foram tomadas providências que culminaram em inovações tecnológicas dos protocolos de limpeza. Passou-se a fazer a desinfecção das áreas comuns com máquinas de alta tecnologia, limpeza detalhada de equipamentos dos servidores (computadores, teclados, telefones, etc.) e ampliação do fornecimento de dispenser de álcool em gel em suas dependências, seus anexos e adjacências”, informou a pasta.

O Metrópoles também solicitou à Secretaria-Geral da Presidência dados sobre óbitos entre funcionários do Planalto. A pasta informou que em 2020 não foram notificadas mortes por Covid-19 na Presidência da República. Em 2021, até 1º de julho, o órgão computou três falecimentos. Um desses foi o de Silvio Kammers, ajudante de ordens do presidente, que morreu no mês de março em decorrência da Covid. O óbito foi confirmado pela Presidência da República.

O chefe do Executivo nacional, porém, já falou, mais de uma vez, que “seu prédio” não registrou mortes porque os funcionários fizeram uso do chamado tratamento precoce, que consiste no uso de medicamentos, como a hidroxicloroquina, que não possui eficácia comprovada no combate à Covid-19.

“No meu prédio mais de 200 pessoas pegaram Covid. Não sei se a maioria ou minorias, mas lá falava-se do tratamento e ninguém foi para o hospital. Para quê correr esse risco? Deixa de ser otário. Estamos vivendo um momento de crise. São vidas que estão em jogo. Pode ser que lá na frente falem que a chance é zero, que é placebo. Tudo bem. Paciência, me desculpem, tchau. Mas pelo menos não matei ninguém”, afirmou Bolsonaro em uma transmissão ao vivo em fevereiro último. Na época, havia mais de 400 casos de infecção no Planalto.

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