Ouça áudios dos militares acusados de planejar um golpe de Estado
Áudios têm indicação de plano para decretar um golpe de Estado no Brasil e reverter o resultado das Eleições de 2022

Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou suposta trama golpista discutida nos últimos dias do governo de Jair Bolsonaro (PL), após sua derrota eleitoral para o presidente Lula (PT). Documentos, arquivos e depoimentos levaram os investigadores a traçar os contornos do plano e dar nome aos personagens envolvidos na trama que seria para decretar um golpe de Estado no Brasil em 2022.
Parte da plano foi desvendada a partir do material localizado nos dispositivos eletrônicos de alvos de operações anteriores da PF. Um dos personagens principais é o general Mário Fernandes, preso por supostamente estar envolvido no plano para matar Luiz Inácio Lula da Silva.
O Metrópoles teve acesso a mais de 50 áudios relacionados a Mário Fernandes e que detalham o que pensavam os militares envolvidos na trama golpista. Confira:
“Tá na cara que houve fraude”
Em conversa com o também general Luiz Eduardo Ramos, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o general Mário Fernandes expressava insatisfação com o resultado das urnas que deram vitória a Lula nas Eleições de 2022. Em mensagem de áudio, ele destacava teses de supostas fraudes no resultado do pleito.
“Isso é impactante, essa porra. Tá na cara que houve fraude, porra. Tá na cara, não dá mais pra gente aguentar esta porra, tá foda. Tá foda”, disse ele, em mensagem enviada em 4 de novembro de 2022.
Ouça:
Guerra civil
Na primeira semana após as Eleições de 2022, o coronel Roberto Criscuoli enviou audio ao general Mário Fernandes em que projeta uma guerra civil no Brasil. O estopim, na visão dele, deveria ocorrer o quanto antes, uma vez que a população estaria mobilizada. “Se nós não tomarmos a rédea agora, depois eu acho que vai ser pior”, disse, referindo-se aos acampamentos em frente a quarteis que pediam a intervenção militar.
“Na realidade vai ser guerra civil agora ou guerra civil depois. Só que a guerra civil agora tem uma justificativa, o povo tá na rua, nós temos aquele apoio maciço. Daqui a pouco nós vamos entrar numa guerra civil, porque daqui
a alguns meses esse cara [Lula] vai destruir o Exército, vai destruir tudo”, afirmou ao general.
Ouça:
“Quatro linhas é o c*aralho”
Em conversa com Mário Fernandes, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu encaminha áudio em que afirma que “quatro linhas é o caralho”. Trata-se de uma referência à expressão cotidianamente usada por Bolsonaro “quatro linhas da Constituição”. “O senhor me desculpe a expressão, mas quatro linhas é o caralho. Quatro linhas da Constituição é o caceta”, disse.
Em mensagens enviadas em 5 de novembro de 2022, ele ainda compara as manifestações que questionavam o resultado das urnas à Primavera Árabe.
Ouça:
“Impugnar essa porra”
Em novembro de 2022, Mário Fernandes encaminha mais áudios em que trata da possibilidade de um golpe de Estado. “Eu considero que a estratégia do presidente foi a melhor. Ele não declarou abertamente e, como o tal do artigo 222 lá, ele pode a qualquer momento impugnar essa porra e nos dar um pouco mais de tempo pra analisar tudo isso aí que vem sendo levantado e denunciado”, diz.
Ouça:
“Quebrar cristais”
Já em 10 de novembro, a PF constatou que Mário Fernandes encaminha áudios a Marcelo Câmara, a quem chama de Caveira, em que trata da trama golpista. “Qualquer solução, Caveira, tu sabe que ela não vai acontecer sem quebrar ovos, né, sem quebrar cristais”
Ouça:
Prazo até 31 de dezembro
Outro áudio, dessa vez encaminhado ao tenente-coronel Mauro Cid em 8 de dezembro, Mário Fernandes cita uma conversa com o então presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, ele teria citado a possibilidade de um golpe até 31 de dezembro.
Ouça:
Evitar o desestímulo de Bolsonaro
Entre 15 e 16 de dezembro de 2022, o general Mário Fernandes encaminhou áudios para o também general, Luiz Eduardo Ramos, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, pedindo que ele não deixasse o presidente Jair Bolsonaro desistir dos planos antidemocráticos.
“Kid preto, algumas fontes sinalizaram que o comandante da Força sinalizaria hoje, foi ao Alvorada para sinalizar ao presidente que ele podia dar a ordem. Se o senhor está com o presidente agora e ouvir a tempo, blinda ele quanto a qualquer desestímulo, qualquer assessoramento diferente. Isso é importante, kid preto. Força!”, orientou Fernandes.
Ouça:
“Presidente tem que assinar esta merda”
Conforme o relatório da PF, no final de dezembro de 2022, o general Mário Fernandes enviou um áudio ao coronel reformado Reginaldo Vieira de Abreu demonstrando certa frustração, diante da falta de resolução sobre o plano de golpe de estado, especialmente com a conduta das Forças Armadas.
“Tô começando a pensar que, porra, as Forças Armadas estão do jeito que o general Teófilo colocou mesmo no texto dele hoje. Estão esperando a decisão política. Se não houver essa decisão política, não vão fazer nada”, inicia o áudio.
Em seguida, Mário Fernandes disse que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha que assinar logo a minuta de golpe:
“Tem os dissidentes, tem os filhas da puta lá? Tem, já está comprovado, mas, pô, sabemos que é um colegiado, cara. Cinco caras não iam interferir tanto assim. Estão fazendo um excelente trabalho, mas não iam interferir tanto assim. Cara, porra, o presidente tem que decidir e assinar esta merda, porra”.
Ouça:

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