Otoni de Paula sobre operação da PF: “Não temos medo da tirania”

Mandados de busca foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

atualizado 20/08/2021 9:48

Deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ)Reprodução/ Câmara dos Deputados

O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) afirmou, nesta sexta-feira (20/8), que “não tem medo da tirania”. A declaração foi dada horas após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar.

Além de Otoni de Paula, o cantor Sérgio Reis também foi alvo da operação, que teve 29 mandados cumpridos. Os pedidos de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF apura “eventual cometimento do crime de incitar a população, por meio das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de Direito e suas instituições, bem como contra os membros dos Poderes”.

De acordo com o parlamentar, que é um dos grandes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), os agentes da PF levaram um celular e um notebook. Além disso, o deputado foi intimado para comparecer ainda nesta sexta-feira à Polícia Federal.

Após a finalização das buscas em sua residência, Otoni abriu uma transmissão ao vivo no Facebook e disse não temer a tirania. Ele também afirmou que a ação do ministro Alexandre de Moraes é uma “vergonha”.

“Vamos em frente, com muita coragem, mostrando que nós não temos medo de tirania, seja ela de quem for, inclusive do senhor tirano ministro Alexandre de Moraes. Que vergonha, ministro”, assinalou.

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No vídeo, que tem cerca de nove minutos de duração, Otoni de Paula afirma que o magistrado do STF tem uma “postura antidemocrática”. O parlamentar também diz que, “um dia, todos darão conta a Deus”.

“Que postura antidemocrática que vossa excelência tem tido. Mas é assim mesmo. Um dia, nós todos, ministro, vamos dar conta a Deus. Eu vou dar conta a Deus e o senhor também vai dar conta a Deus. Se a justiça aqui na terra falhar, a justiça divina, essa não falha nunca”, assinalou.

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes e são cumpridas nas seguintes unidades da Federação: Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Mato Grosso, Ceará e Paraná.

Veja o vídeo:

“Déspota”

Otoni de Paula também declarou que o Brasil vive em estado de exceção e afirmou que o ministro Alexandre de Moraes tem um comportamento “déspota”. O conceito diz respeito a governos com características autoritárias.

“Claro que estamos vivendo de exceção no Brasil. Claro que, em estado de exceção, você pode ser preso. O ministro Alexandre de Moraes tem tido um comportamento autoritário, e por isso que eu já adjetivei o comportamento dele como déspota”, pontuou.

O parlamentar também disse que “não vai recuar” e nem mudar de postura. “Dentro do que a democracia me permite, dentro do que a constituição me permite, este deputado federal aqui, este cidadão brasileiro aqui, investido da autoridade parlamentar, não vai recuar um milímetro. Se alguém pensa que vou deixar de falar o que penso, se alguém pensa que vou deixar de ter a mesma postura que tenho, eu não vou deixar de ter”, assinalou.

Denúncias

Em julho de 2020, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal pelos crimes de difamação, injúria e coação.

De acordo com a denúncia, o deputado federal fez, em 16 de junho e 5 de julho deste ano, duas transmissões ao vivo pela internet, nas quais imputou, por cinco vezes, fatos afrontosos à reputação do ministro Alexandre de Moraes e, por 19 vezes, ofendeu a dignidade e o decoro do magistrado.

“O parlamentar também é acusado de, nessas duas ocasiões, empregar violência moral e grave ameaça para coagir Moraes e, com isso, beneficiar a si mesmo e ao jornalista Oswaldo Eustáquio Filho”, diz a PGR.

Em janeiro deste ano, o juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível de São Paulo, condenou Otoni de Paula (PSC-RJ) a pagar R$ 70 mil de indenização ao ministro Alexandre de Moraes, devido aos ataques feitos pelo parlamentar nas redes sociais.

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