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Brasil

Oposição votará contra dosimetria por medo de perder votos e Trump

Lideranças citam pesquisa interna encomendada pelo PL mostra resistência do eleitorado, e temem ainda enfraquecer articulação com EUA

08/10/2025 02:00
HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Jair Bolsonaro

A oposição na Câmara decidiu votar contra o projeto de dosimetria dos condenados por tentativa de golpe de Estado e citou dois motivos para a decisão, aparentemente contraditória pensando na busca por benefício ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deputados ouvidos pelo Metrópoles afirmam que podem perder de uma só vez votos no eleitorado bolsonarista e também o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo parlamentares de oposição, foi feita uma pesquisa interna para medir a opinião do eleitorado bolsonarista sobre o projeto de dosimetria. Ficou claro para esses congressistas que os eleitores de Bolsonaro não aceitam o “meio-termo” proposto pelo Centrão, e exigem a anistia completa para o ex-presidente e os demais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista.

O grupo avalia que, se votar a favor da dosimetria, colocará em risco também a articulação com Trump nos Estados Unidos. Os bolsonaristas acreditam que aceitar a dosimetria seria o mesmo que corroborar com o STF, e até aceitar uma culpa parcial de Bolsonaro. Se a Casa Branca ler que a direita brasileira não está unida na pauta da anistia, acabará segurando sua ofensiva comercial contra o Brasil.

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Ex-presidente Jair Bolsonaro
Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria
Eduardo Bolsonaro
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Eduardo Bolsonaro

Reprodução/TVM
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria
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Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria

Breno Esaki/Especial Metrópoles

Não há acordo sobre o texto. O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi definido como relator da anistia, e decidiu transformá-la numa proposta de dosimetria. Ou seja, ao invés de promover um perdão amplo e geral aos condenados, trataria da redução da pena. Tal benefício, como afirmou o próprio deputado, beneficiaria também Bolsonaro.

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A rejeição da oposição ao “meio termo” proposto pelo Centrão, junto à negativa da base do governo Lula sobre qualquer benefício a Bolsonaro, pode inviabilizar o projeto de dosimetria. Segundo aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautar o projeto e derrotá-lo em plenário não seria algo negativo.

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Esse grupo quer “se livrar” da pressão da oposição por anistia, e acredita que a direita não terá argumentos para insistir no assunto se votar contra a dosimetria e ela for rejeitada. Motta enfrentou maus bocados por causa da proposta, à época em que o plano de anistia era o mais defendido, incluindo um motim que impediu o presidente de acessar a Mesa Diretora da Câmara por mais de um dia.

Votação

Paulinho da Força quer apresentar o texto a Motta ainda nesta semana, para que o chefe da Câmara leve o projeto ao plenário. A urgência do texto foi aprovada em 17 de setembro, o que significa que pode ser votado a qualquer momento, sem precisar passar por comissões.

O relator tem dito que o parecer será “curto e grosso”. Resta saber mesmo se conseguirá acordo com o Senado. Há temor na Câmara que uma eventual aprovação do texto gere desgaste, e que, à exemplo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, senadores enterrem o projeto e ganhem os louros perante a opinião pública.

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