Senadores da oposição protocolam PEC pela retomada do Marco Temporal
Projeto é uma reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou, com placar de 9 a 2, a tese do Marco Temporal

O senador Dr. Hiran (PP-RR) e 27 parlamentares da oposição protocolaram, na quinta-feira (21/9), uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que pede a retomada do Marco Temporal das terras indígenas.
O projeto é uma reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou, com placar de 9 a 2, a tese que previa direito ao território indígena apenas para os grupos que ocupavam ou disputavam os espaços até 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição.
Além de Hiran, o texto da PEC é assinado por senadores como Hamilton Mourão (Republicanos-ES), Sergio Moro (União-PR), Marcos Pontes (PL-SP), Eduardo Girão (Novo-CE) e Jorge Seif (PL-SC).
De acordo com a PEC, a definição de um marco temporal “garante a estabilidade das relações sociais, econômicas e territoriais do nosso país”.
“Essa emenda não visa negar o direito dos povos indígenas às suas terras, mas sim oferecer uma base sólida para a demarcação, evitando conflitos e incertezas que prejudicam tanto as comunidades indígenas quanto outros setores da sociedade”, consta no texto.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm nota, o senador Hamilton Mourão, um dos signatários da PEC, afirmou que a decisão do STF gera “insegurança jurídica”. “O objetivo é buscar trazer clareza e segurança jurídica para o processo de demarcação de terras indígenas no Brasil. Precisamos garantir que direitos sejam preservados sem prejuízo de setores econômicos fundamentais para o nosso país”, escreveu o parlamentar.
Para que seja aprovada, a PEC precisa ser distribuída pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois de passar pelo colegiado, a PEC precisa de ser aprovada em dois turnos tanto na Câmara, quanto no Senado.

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Apesar de ter sido derrubada pelo STF, tramita, na CCJ do Senado, um projeto de lei que prevê a criação de um Marco Temporal para demarcar as terras indígenas brasileiras.
Com a decisão do Supremo, a tese jurídica segundo a qual os povos originários têm direito apenas às terras que ocupavam ou já disputavam em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição Federal, não valerá.
No entanto, a decisão do Judiciário não inviabiliza os debates no Congresso. Especialistas consultados pelo Metrópoles explicam que, mesmo após uma decisão do STF, o Legislativo ainda pode aprovar uma lei sobre o tema, concordando ou não com a decisão da Suprema Corte.
Uma eventual nova lei, contudo, nascerá inconstitucional, e o Supremo ainda deve ter a palavra final sobre o tema. É provável que tal norma volte a ser questionada juridicamente, e quem decide sobre a constitucionalidade é a própria Corte, que desta vez, atuará conforme a jurisprudência estabelecida em julgamento.
Marco Temporal no Senado
A apreciação da medida no Senado caminha a passos lentos. A matéria do PL 2.903/2023, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados, teve apreciação adiada na CCJ após pedido de vista coletivo dos governistas, ou seja, mais tempo de análise para a matéria.
O relator, senador Marcos Rogério (PL-RO), chegou a fazer a leitura do parecer favorável ao texto, mas a votação ficou para a próxima quarta-feira (27/9), após o julgamento no Supremo.
Segundo apurou o Metrópoles, o pedido de vista foi feito para que o caso volte a ser analisado quando o presidente da comissão, senador Davi Alcolumbre (União-AP) volta de viagem. Alcolumbre deu aval para o avanço da votação, mas a deliberação final deve ser feita dentro de 7 dias para que ele participe.
No Congresso, o tema está longe de um consenso no âmbito do colegiado, mas as perspectivas são para um entendimento diferente do da Suprema Corte. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) defende a aprovação da matéria e concentra grande parte dos parlamentares: 50 dos 81 senadores e 324 dos 513 deputados federais.
















