Operação contra Bivar é “coincidência”, diz ex-ministro do TSE

Admar Gonzaga atua como conselheiro de Bolsonaro e deputados que buscam caminho jurídico para desembarcar do PSL

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 15/10/2019 14:43

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga disse, nesta terça-feira (15/10/2019), que a operação da Polícia Federal contra o dirigente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), foi uma “coincidência”, mas pontuou que, se avançar, “naturalmente será utilizada” na discussão sobre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e deputados aliados deixarem o partido.

“Foi uma coincidência. Mas a Justiça também está atenta. Se alguma coisa for desvendada negativamente em face da direção do PSL em Pernambuco, a lei será aplicada. Se isso tiver relação com a direção nacional (do PSL), dessa atual gestão, naturalmente também será utilizada (na discussão sobre a saída de Bolsonaro da sigla). Mas isso é uma decisão da Justiça Eleitoral”, declarou o ex-ministro do TSE em entrevista à Rádio Gaúcha.

Gonzaga, junto da advogada Karina Kufa, atua como conselheiro de Bolsonaro e de deputados do PSL que buscam caminho jurídico para desembarcar do PSL. O ex-magistrado afirma que a suposta resistência da legenda em informações sobre seus gastos configura “justa causa” para deixar o partido.

“Essa recusa é uma justa causa, vamos dizer assim, ‘chapada’. Qualquer um compreende que obedecer a lei é uma obrigação”, frisou. Na semana passada, Bolsonaro externou a crise ao pedir a um militante que “esquecesse o PSL” e dizer que Bivar estava “queimado para caramba”.

O grupo de parlamentares do PSL que solicita auditoria nas contas do partido vê na operação da Polícia Federal oportunidade para a dissidência crescer e reforçar sua permanência na sigla.

Os deputados têm se reunido em Brasília e partilham suas ideias em um grupo de WhatsApp paralelo. Entre eles, estão os filiados que podem ser expulsos da sigla, como Carla Zambelli (SP), Bibo Nunes (RS) e Alê Silva (MG). “A operação reforça o que estamos pedindo, que é a transparência nas contas do partido, e abre espaço para mais parlamentares virem para nosso grupo”, salientou Carla Zambelli. Ela acredita que ao menos 10 colegas devem se juntar a eles.

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