ONU pede investigação imparcial de operação que deixou 25 mortos no RJ

Integrantes do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos afirmaram ter ficado "profundamente perturbados" com o caso

atualizado 07/05/2021 9:56

Operação policial em Jacarezinho, Rio de JaneiroJOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Nesta sexta-feira (7/5), o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, por meio do porta-voz Ruppert Colville, em coletiva de imprensa, em Genebra, disse que a entidade está “profundamente perturbada” com as 25 mortes na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

“Estamos profundamente perturbados pelas mortes de 25 pessoas numa operação policial”, declarou Colville. Para a ONU Direitos Humanos, a operação confirma que, no Brasil, a polícia se excede no uso da força e da autoridade.

Ainda segundo o porta-voz, o modelo de segurança pública em comunidades está errado. Pontuou ainda que uma investigação imparcial deve ser aberta para apurar o caso.

A organização não nega a existência do crime organizado e do tráfico de drogas nas comunidades, mas contesta a abordagem utilizada pelos policiais.

“A forma de lidar com isso é com responsabilidade por parte das autoridades, para garantir que população civil, mulheres e crianças não sejam afetadas”, salienta Colville.

De acordo com o porta-voz, o governo tem a responsabilidade de “equilibrar o policiamento necessário no caso de atividades criminosas”, a fim de “proteger a população civil de mortes e ferimentos, além de crimes”.

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Operação Exceptis

Na quinta-feira (7/5), um intenso tiroteio na Favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos 25 mortos, entre eles um agente da Delegacia de Combate às Drogas, e dezenas de pessoas feridas. Dois policiais também foram atingidos de raspão no braço e na panturrilha – ambos apresentam quadro estável.

Ao todo, 21 traficantes foram identificados e são procurados. Segundo a Polícia Civil do estado, a Operação Exceptis resultou na morte de 24 suspeitos e do agente André Frias.

Em nota, a Polícia Civil informou que a ação, coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), é resultado de investigação contra a organização criminosa que atua na comunidade.

O grupo é investigado pelo aliciamento de crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, explorando os menores para práticas ilícitas, como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e sequestros de trens da Supervia, dentre outros crimes.

O confronto interrompeu a circulação dos transportes públicos na região, além de ter provocado o fechamento de escolas e de unidades de saúde, suspendendo, entre outros serviços, a vacinação contra a Covid-19.

MetrôRio informou que “dois clientes foram atingidos na altura da estação de Triagem, após o vidro de uma das composições aparentemente ser atingido por projétil”. Os passageiros feridos receberam socorro e também apresentam quadro estável.

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