ONU Mulheres quer compromisso de candidatos com igualdade de gênero

A entidade lançará em setembro a Plataforma Brasil 50-50, que defende metade do cargos de gestão para mulheres

atualizado 13/08/2018 14:28

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A corrida eleitoral está prestes a começar e as mulheres, que compõem a maior parte do eleitorado brasileiro (52%), poderão levar em consideração critérios mais específicos antes de escolher seus representantes políticos nas urnas no mês de outubro.

Em setembro, a ONU Mulheres Brasil lançará a plataforma Brasil 50-50. A proposta é questionar postulantes dentro da disputa sobre ações que pretendem colocar em prática, no futuro, para construir um país mais igualitário e avançar rumo à equidade de gênero.

O principal desafio da proposta é o compromisso com a montagem de uma administração paritária. Isto significa, ter o mesmo número de mulheres e homens em cargos do primeiro escalão do governo.

A proposta pode parecer irreal, considerando a atual condição do Brasil, em que mulheres ocupam bem menos espaços de gestão do que os homens. No entanto, não se trata de uma medida inédita.

No Canadá, por exemplo, o primeiro ministro, Justin Trudeau, montou em 2005 seu gabinete com metade dos cargos para mulheres e metade para homens. Ele é citado como exemplo na luta pelo empoderamento feminino pela ONU Mulheres.

Parceria
De acordo com a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman, no Brasil a iniciativa conta com parceria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do grupo de pesquisa sobre Democracia e Desigualdades da Universidade de Brasília (Démodé/UnB), entre outros.

O objetivo durante os ciclos eleitorais é “engajar candidatas e candidatos participantes das eleições para que assumam compromissos públicos com os direitos das mulheres e meninas no momento eleitoral”.

O projeto Brasil 50-50 é uma ampliação de outro trabalho da entidade lançado em 2016, por ocasião das eleições municipais, denominado Cidade 50-50 e também se insere na proposta maior da ONU, chamada Planeta 50/50. As iniciativas fazem parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015. Ou seja, a meta da ONU Mulheres é de uma construção global até de 2030 de governos comandados de forma igualitária por mulheres e homens.

Segundo a entidade, na prática, a ideia é que, nos períodos eleitorais, a plataforma Brasil 50-50 viabilize a construção de ampla agenda a partir dos ODS no âmbito nacional, estadual e municipal. Entre os alvos dos ODS, estão a erradicação da fome e pobreza; garantia de água potável e saneamento básico para todos; educação de qualidade e promoção para igualdade de gênero.

No intervalo de cada eleição, a inciativa Cidade 50-50 auxiliará no trabalho de identificação dos respectivos objetivos em diversas localidades brasileiras para tornar ações e políticas mais concretas com o objetivo de modificar o dia a dia das mulheres e avançar no que diz respeito à equidade até 2030.

Para Nathalie Regis Fraxe, influenciadora digital e servidora pública, a ideia da plataforma é de suma relevância para o momento, já que a participação feminina tem sido mais forte na hora do voto. Além disso, segundo ela, a oportunidade de ouvir as propostas dos participantes na corrida eleitoral possibilita que as mulheres se sintam mais representadas no debate eleitoral.

“Achei excelente essa proposta. Sou de João Pessoa (PB), mas voto em Brasília. Moro aqui desde criança. Meu primeiro título foi tirado aqui. Acho importante o candidato se pautar nesse tipo de projeto. Nós (mulheres) ainda ganhamos menos, ainda não temos todos os direitos garantidos. Faria total diferença ter candidatos que nos representasse”, destacou. ” Se eu votar em algum proponente desta plataforma, cobraria depois. Se ele não for condizente com aquilo que se propôs a fazer, não votaria mais nele”, completou.

Cidade 50-50
Em 2016, conforme informou a ONU Mulheres Brasil, aderiram à iniciativa 54 candidatos. Destes, 33 mulheres. Foram eleitas duas vereadoras e um vereador, do estado de Minas Gerais (MG). Durante os dois anos seguintes, a entidade afirmou ter assinado memorandos de entendimento com o consórcio Mulheres das Gerais, das quais são participantes as prefeituras de Belo Horizonte e Betim.

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