OMS rebate Bolsonaro e nega que seja contra isolamento

O presidente usou fala do diretor-geral do órgão para afirmar que alguns informais devem voltar a trabalhar, mas omitiu parte do discurso

atualizado 31/03/2020 17:21

A Organização Mundial da Saúde se pronunciou após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) utilizar parte do discurso do diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom, para afirmar que alguns informais devem voltar a trabalhar, contrariando as medidas de isolamento anunciadas.

“Vocês viram o que diretor-presidente da OMS falou ontem? Viram aí? O que ele disse praticamente? Em especial, né, os informais têm que trabalhar”, assinalou o mandatário brasileiro.

Entretanto, o chefe do Executivo omitiu o trecho do discurso em que fica claro que Tedros cobra responsabilidade dos governos para ajudar os mais vulneráveis durante a crise.

“É importante que os governos mantenham a população informada sobre a duração dessas medidas, e que dê suporte aos mais velhos, aos refugiados e a outros grupos vulneráveis. Os governos precisam garantir o bem-estar das pessoas que perderam a fonte de renda e que estão necessitadas de alimentos, saneamento e outros serviços essenciais”, destacou o diretor.

Diante da polêmica e da repercussão parcial da sua fala, Tedros utilizou o Twitter, nesta terça-feira (31/03), para esclarecer seu posicionamento. “Pessoas sem fonte de renda regular ou sem reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpras as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, frisou.

Tedros ainda afirmou que nasceu pobre e que entende o desespero e a realidade global. “Convoco os países a desenvolverem políticas sociais que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia. Solidariedade!”, finalizou.

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