Olavo de Carvalho sobre Santos Cruz: “Você simplesmente não presta”

Tensão entre influenciador do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ministro militar expõe a disputa por poder no governo federal

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atualizado 01/04/2019 13:47

O escritor Olavo de Carvalho, influenciador do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), atacou o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto Santos Cruz, em uma série de publicações no Facebook. A tensão entre eles aumentou após o ministro dizer que é preciso restabelecer o diálogo entre o Executivo e o Legislativo. A crise expõe a disputa por poder dentro do governo.

Há uma semana, Olavo e Santos Cruz tiraram o conflito dos bastidores do Palácio do Planalto e tornaram público o incômodo da ala militar com a interferência do escritor. O general chegou a dizer que nunca se interessou pela obra de Olavo. “Sem a minha obra de três décadas, da qual você nada sabe, você jamais teria chegado ao posto que agora ocupa. O presidente Bolsonaro é um homem grato. Você é apenas um monstro de auto-adoração (sic) e empáfia”, rebateu Olavo.

Olavo tem reclamado da postura de Santos Cruz. “Mostrem-me alguma declaração do general Santos Cruz falando mal de um inimigo do presidente Bolsonaro. Até agora só falou mal de amigos”, escreveu Olavo. Ele reclamou que o general ofende o presidente. “Bolsonaro não tem maturidade para escolher sensatamente seus amigos e precisa portanto de um tutor, o próprio Santos Cruz”, completou.

O general chegou a apontar o escritor como “desequilibrado”, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “Não venha agora choramingar que foi ofendido, Santos Cruz. Foi você que começou isto, sem a menor provocação, dois dias depois de eu o haver elogiado. Você simplesmente não presta”, criticou.

Entre a noite desse domingo (31/3) e a manhã desta segunda-feira (1º/4), o escritor publicou mais de 15 mensagens sobre o assunto. “O truque do Santos Cruz é camuflar sua mediocridade invejosa sob trejeitos de isentismo e acusar de ‘extremista’ quem o supera intelectualmente”, publicou.

“Se um general nunca se interessou pela minha obra, ele nunca se interessou por uma luta de décadas que cavou um rombo na hegemonia intelectual esquerdista, abrindo espaço para a circulação de idéias antes estranguladas e proibidas e tornando possível o governo do qual esse general faz parte”, destacou.

Palavrões
À medida que a tensão aumentou, o uso de xingamentos, também. Olavo de Carvalho é conhecido por usar palavrões sem pudor em discussões. “O fundador do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva, distribuía palavrões por toda parte até mais do que eu o faço. O Santos Cruz, com certeza, o despreza por isso. Parece que nos quartéis por onde passou, os soldados, depois de fazer cocô, diziam, para não usar termos chulos: ‘Vou higienizar meu órgão excretor'”, rebateu.

Olavo de Carvalho é um das principais forças de tração do governo Bolsonaro rumo à extrema direita. “Você deve pedidos de desculpas não a mim, Santos Cruz, mas ao presidente e seus eleitores”, aconselhou Olavo. Ele ressaltou. “Ao tratar o nosso presidente como se fosse um jovem desmiolado que não sabe escolher suas amizades, o Santos Cruz ofendeu brutalmente não somente a ele, mas a todos os brasileiros que depositaram nele a sua confiança”, concluiu.

Olavo menosprezou a atuação militar no governo. “Sem mim, Santos Cruz, você estaria, como disse o Karim Sebti, levando cusparadas na porta do Clube Militar e baixando a cabeça, como tantos de seus colegas de farda. O general Santos Cruz alega como prova da sua superioridade moral sobre mim a sua ignorância da minha obra e desinteresse em conhecê-la. Nada mais natural: o país onde um ministro de Estado se gaba da sua ignorância não pode mesmo se meter em briga com o ditador Maduro, porque sabe que vai levar um cacete dos diabos”, ponderou.


O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Governo da Presidência da República para que o ministro Santos Cruz comentasse as críticas de Olavo de Carvalho, mas até a última atualização desta reportagem o órgão não havia se manifestado.

 

 

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