Nos últimos 5 dias, 18 estados têm alta na média de mortes por Covid-19

Eles tiveram nenhum ou apenas um dia de queda de mais de 15% nos indicadores em comparação aos 14 dias imediatamente anteriores

atualizado 19/11/2020 9:31

A recente realidade brasileira diante da Covid-19 já acendeu o alerta de médicos e epidemiologistas: o número de novas mortes em decorrência da doença, que estava em queda, voltou a subir nas últimas semanas. Nessa quarta-feira (18/11), por exemplo, a quantidade de óbitos chegou a 613, a mais alta em 43 dias.

De acordo com os números analisados pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, em relação ao balanço do Ministério da Saúde, divulgado nessa terça-feira (18/11), 18 estados brasileiros impulsionaram o rastro letal do novo coronavírus nos últimos cinco dias. Isso significa que essas unidades da Federação tiveram nenhum ou apenas um dia de queda de mais de 15% nos indicadores em comparação aos 14 dias imediatamente anteriores.

Em Roraima, por exemplo, o índice das últimas 24 horas subiu 166%, a maior alta do país. Os números por lá estão em ascensão desde 11 de novembro. O Amapá, que sofre com apagão há duas semanas, teve crescimento de 160%. Há oito dias, as variações superam os três dígitos. Para completar o triste pódio, aparece Mato Grosso, com aumento de 120%. O estado registra altas seguidas desde 12/11.

Das nove unidades federativas restantes, apenas quatro – Sergipe, Ceará, Amazonas e Alagoas – registram quedas seguidas há mais de cinco dias. Em oscilações, com dias melhores e piores, estão os demais estados. É o caso do Maranhão, que viveu baixas e períodos de estabilidades na última semana.

Veja a situação de cada estado:

No Twitter, o microbiologista Átila Iamarino, que se tornou uma das principais vozes da ciência sobre o coronavírus no Brasil, analisou o fenômeno. “Acho que temos um aumento de casos. Isso se torna uma segunda onda, se não agirmos. Ainda tem férias, festas e muita demanda por circulação, o que fazer os casos aumentarem”, assinalou.

O professor Paulo Ângelo Alves Resende, do Observatório de Predição e Acompanhamento da Epidemia Covid-19 da Universidade de Brasília (PrEpidemia), também ressaltou que ainda é cedo para se falar de segunda onda. “Esses últimos dados apresentam inconsistências. Precisamos levar em conta dois episódios recentes que podem alterar a nossa percepção: o DataSus, que teve alguns problemas relacionados ao ataque de hackers, e as eleições, que podem gerar uma orquestração de atrasos e represamento das notificações”, explicou. “Não podemos desesperar, mas, principalmente, não podemos relaxar,” frisou.

Média móvel

Acompanhar o avanço da pandemia da Covid-19 com base em dados absolutos de morte ou casos está longe do ideal. Isso porque eles podem ter variações diárias muito grandes, principalmente atrasos nos registros. Nos fins de semana, por exemplo, é comum perceber redução significativa dos números.

Para diminuir esse efeito e produzir visão mais fiel, a média móvel é amplamente utilizada ao redor do mundo. A taxa, então, representa a soma das mortes divulgadas em uma semana dividida por sete. O nome “móvel” é porque varia conforme o total de óbitos dos sete dias anteriores.

Como analisar os números?

Por causa do tempo de incubação do novo coronavírus, adotou-se a recomendação dos especialistas: comparar a média móvel de hoje com a de 14 dias atrás. As variações no número de mortes ou de casos de até 15% para mais ou para menos caracterizam estabilidade da doença.

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