Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

No STF, Gonet nega relação com Vorcaro: "Não tive proximidade".

Gonet destacou que se encontrou com Vorcaro em apenas uma ocasião, acompanhado de "várias autoridades"

15/09/2026 18:10, atualizado 15/09/2026 18:35
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Paulo Gonet

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, negou qualquer proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante sessão extraordinária no Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia necessidade de julgamento do ministro Alexandre de Moraes.

Assista ao momento:

Gonet afirmou que teve apenas um encontro com Vorcaro, em abril de 2024, na presença de outras autoridades. Segundo o procurador-geral, também houve uma ligação intermediada por um advogado, que classificou como “brevíssima e banal”.

“Não existe e nem tive relacionamento de proximidade com o Sr. Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal”, afirmou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O procurador-geral também mencionou a investigação conduzida pelo ministro André Mendonça e disse que não foram encontrados elementos que apontassem para a prática de ilícitos por parte dele.

“Eu fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não havia nada, do que foi colhido, que pudesse induzir a alguma prática e ilícito por parte do procurador-geral da República”, declarou.

Na avaliação de Gonet, a atuação do Ministério Público foi “precisa” e “correta” no exercício da titularidade da ação penal. Ao final, ele agradeceu a Mendonça pela referência à ausência de dúvidas sobre a atuação da Procuradoria-Geral da República.

O nome de Paulo Gonet apareceu no relatório da Polícia Federal divulgado por André Mendonça, que reuniu mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o documento, o procurador-geral teria mantido contato com Vorcaro por intermédio do advogado Ciro Soares, que atuava para o banco.

As mensagens incluem uma conversa telefônica entre Gonet e Vorcaro, intermediada pelo advogado Ciro Soares, além de manifestações de cordialidade trocadas por meio de Soares.

Gonet também foi citado no contexto de mensagens em que Vorcaro teria pedido ao ministro Alexandre de Moraes que tentasse atuar junto ao próprio procurador-geral e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para conter medidas contra o Banco Master.

Mendonça e Gilmar Mendes batem boca

Após a declaração de Gonet, O ministro André Mendonça e o ministro Gilmar Mendes protagonizaram um bate-boca durante a sessão.

A discussão começou quando Mendonça discorria sobre um possível envolvimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet no caso Master.

Gilmar Mendes interrompeu o colega de Corte e disse: “É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.

“Desfaçatez de vossa excelência. Me respeite”, rebateu Mendonça.

Gilmar acrescentou: “Pode chorar”. “Aqui não tem choro não. Respeite”, concluiu Mendonça.

Assista ao momento:

Logo após a discussão entre Mendonça e Gilmar, o ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento, alegando que o debate sobre o tema estava “degradando” o STF. Dino criticou a condução do presidente da Corte, ministro Edson Fachin em relação às diversas “trocas de farpas” entre os magistrados.

Na segunda parte da sessão, iniciada por volta das 15h30, os ministros votam uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O decano propôs reunir os processos que envolvem Moraes e a conduta de Mendonça e adiar o julgamento para 23 de setembro.

O ministro Flávio Dino pediu vista para interromper a sessão, mas Fachin deu a palavra a Fux e Cármen Lúcia, que adiantaram voto. O placar está em 4 a 4 a favor do entendimento de Gilmar.