Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

No Planalto, cientista diz que cloroquina não é eficaz contra a Covid-19

A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patrícia Rocco, deu entrevista ao lado do Ministro da Ciência e Tecnologia

19/10/2020 20:19, atualizado 19/10/2020 20:29
Samir Jana/Hindustan Times/Getty Images
hydroxychloroquine

A cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patrícia Rocco, informou que a já ficou comprovada a ineficácia da hidroxicloroquina, medicamento amplamente divulgado pelo governo e pelo presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. A informação foi dita em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, após a cerimônia na qual o governo sustentou a eficácia de um novo medicamento, a nitazoxanida, cujo nome comercial é Annita.

“Todos vocês já sabem que, no momento, antiviral praticamente não existe na literatura. O remdesivir nós não temos no Brasil e, além disso, ainda é preciso internar o paciente para usá-lo de forma intravenosa. Todos estudos já mostraram que a própria hidroxicloroquina, infelizmente ou felizmente, não tem eficiência no combate da Covid-19. Não há sequer a redução da carga viral, se utilizada na fase precoce, profilaticamente, ou na fase tardia”, disse a coordenadora da pesquisa.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Rocco informou que não chegou a apresentar dados do estudo feita com a medicação Annita, pois ainda aguarda a publicação dos resultados por revistas especializadas. “Espero divulgar os resultados nas próximas semanas”, disse.

“A partir do momento que ocorrer a publicação, vocês vão saber sobre a efetividade do medicamento. Quando a gente fez o estudo clínico com a nitazoxanida, optamos por mostrar a carga viral na terapia precoce. Pensamos muito no ponto de vista epidemiológico. Então, certamente tudo precisa passar por revisão dos pares”, falou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Em compensação, a professora argumenta que não vê motivos para esperar a publicação para se divulgar a aprovação da medicação vista que a pandemia pode levar a vida de muitas pessoas.

“Como cientista, quero primeiro ter o resultado para avaliação dos nossos pares e depois divulgar. Mas, a partir do momento que o número de mortes por Covid-19 continua alto, e existe uma medicação disponível que possa diminuir a carga viral por via oral, como não vamos oferecer o medicamento a quem precisa? Claro que reduzir a carga viral não significa perder todo o cuidado. A população ainda precisa usar de máscara, álcool em gel e manter o distanciamento”, destacou.