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Brasil

Nenhum teste de Covid foi perdido, diz Pazuello; 1,7 milhão venceram

Cerca de 1,7 milhão de exames RT-PCR, adquiridos em abril de 2020, perderam o prazo de validade, revelou o Metrópoles nesta quarta-feira

, Repórter de Brasil19/05/2021 13:28, atualizado 19/05/2021 14:17
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Pazuello na CPI da Covid

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou categoricamente, nesta quarta-feira (19/5), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que nenhum teste para identificar o novo coronavírus foi perdido. A CPI apura ações e omissões do governo federal durante a pandemia.

Como revelou o Metrópoles, no entanto, 1,7 milhão de exames RT-PCR perderam o prazo de validade, mesmo após flexibilização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e serão “substituídos”.

“Não temos nenhum teste perdido. Não foi perdido nenhum teste. Zero”, disse o general, ao afirmar que o Ministério da Saúde aumentou a capacidade de processamento do país de 1,1 mil testes por dia para 66 mil testes por dia.

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General Eduardo Pazuello na CPI da Covid
General Pazuello na CPI da Covid
Eduardo Pazuello fala à CPI da Covid
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, chega ao Senado para depor
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, chega ao Senado para depor
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General Eduardo Pazuello na CPI da Covid

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General Pazuello na CPI da Covid

Edilson Rodrigues/Agência Senado
Eduardo Pazuello fala à CPI da Covid
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Eduardo Pazuello fala à CPI da Covid

Jefferson Rudy/Agência Senado
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, chega ao Senado para depor
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Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, chega ao Senado para depor
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Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, chega ao Senado para depor

Igo Estrela/Metrópoles

Questionada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), por que os exames não foram distribuídos a tempo, antes de ter estourado o prazo de validade, Pazuello assinalou que “já foram distribuídos e usados”.

“A validade foi uma validade emergencial feita pela Anvisa, e foi revista naturalmente. Fazia parte do processo aumentar a validade. Até porque a testagem é por demanda. Não enviamos para estados e municípios. Ele começa na demanda de estados e municípios, e a gente fornece.”

“Testes com validades perdidas, na minha avaliação, é zero”, prosseguiu o general.

Testes perdidos

O Ministério da Saúde deixou estourar, porém, o prazo de validade de aproximadamente 1,7 milhão de testes RT-qPCR para Covid-19. A informação foi apurada pelo Metrópoles e confirmada pela pasta.

Os exames serão “substituídos sem custo”, alega o ministério, sem, no entanto, informar como ou quando – nem repassar qualquer documento que confirme o mecanismo de troca.

Todos foram comprados pelo governo federal em abril de 2020, via Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No total, o lote continha cerca de 10 milhões de testes, que foram produzidos pelo laboratório Seegene, da Coreia do Sul.

Cada teste custou aos cofres públicos R$ 42, segundo informação enviada pelo Ministério Público Federal à CPI da Covid-19. Isso significa que, além de os brasileiros não terem tido acessos aos exames, o desperdício pode chegar a R$ 71,4 milhões.

Em dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou o prazo de validade dos testes, por mais quatro meses, após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que 6,9 milhões de exames estavam encalhados em um galpão do governo federal em Guarulhos (SP).

No início de abril de 2021, o Metrópoles mostrou que, desse total, 2,8 milhões de exames RT-qPCR seguiam sem destinação.

À época, a pasta acenou com a possibilidade de nova avaliação da Anvisa para estender o prazo de validade dos exames para Covid-19 estocados. E acrescentou que “trabalha, juntamente com os estados e municípios, para que nenhum teste perca a validade”.

Por sua vez, a agência reguladora afirmou, ao Metrópoles, que não tinha “perspectiva do que poderá ocorrer com os referidos testes”.

Após publicação da matéria, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler determinou que o ministério desse “imediata destinação” aos exames RT-qPCR que seguiam parados.

Na avaliação do ministro do TCU, “causa preocupação esse alto número, especialmente se comparado com o histórico de utilização do insumo nos últimos 12 meses”.

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