“Não se dá tiro na nuca do seu soldado”, diz Bebianno sobre Bolsonaro

O ministro-chefe afirmou estar impressionado com o fato de o presidente apoiar as investidas do filho Carlos Bolsonaro

Rafael Carvalho/Governo de transiçãoRafael Carvalho/Governo de transição

atualizado 14/02/2019 16:09

O secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, demonstrou, em conversa com interlocutores, forte mágoa com as investidas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do filho Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). As informações são do G1.

“Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, disse Bebianno em uma conversa com pessoas próximas a ele.

No último domingo (10/2), Bebianno foi acusado de liberar R$ 400 mil de dinheiro público para uma candidata laranja de Pernambuco, Maria de Lourdes Paixão. Ela concorreu à vaga de deputada federal, mas recebeu apenas 274 votos e não conseguiu se reeleger.

Segundo o relato a colegas, o ministro-chefe está impressionado com o fato de o presidente apoiar os argumentos do filho e vereador do Rio. “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá de assumir o desgaste público ao mandar embora um auxiliar com pouco mais de um mês de governo. O secretário-geral garantiu que não pretende pedir demissão.

Bebianno voltou a reafirmar aos interlocutores que manteve contato com Jair Bolsonaro durante o período de internação do presidente, no hospital Albert Einstein. Disse, ainda, que a conversa está registrada não só nas mensagens enviadas do celular, mas nas recebidas do próprio chefe do Executivo.

O ministro foi um dos coordenadores de campanha de Bolsonaro e presidiu o PSL, partido do presidente, em 2018 e durante toda a corrida eleitoral. Bebianno só deixou o posto depois de ter sido nomeado para o atual cargo político.

Por fim, o ministro ressaltou que o PSL nacional não cuida de candidaturas estaduais, além de achar estranha a hipótese de o atual presidente do partido, Luciano Bivar, ter feito algo irregular, principalmente por ter boa condição financeira.

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