Vídeo: “Não entreguei os pontos”, diz Amoedo sobre 3ª via para eleições de 2022

O fundador do Partido Novo disse ao Metrópoles que vai lutar para que a disputa não fique limitada a Bolsonaro e Lula. "Eu não me conformo"

atualizado 28/04/2021 18:24

Rachel Sheherazade entrevista João AmoêdoMetrópoles

Fundador do Partido Novo, João Amoêdo afirmou, em entrevista ao Metrópoles, que ainda acredita na construção de uma candidatura que faça frente à disputa entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2022. “Temos que ter [um caminho]. Eu não me conformo, não entreguei os pontos”, disse (confira a partir 6’28”).

“Eu não acredito que em um país com mais de 210 milhões de pessoas a gente fique à mercê de uma pessoa que, apesar do processo ter sido extinto, foi, sim, colocado como criminoso, tem as provas. Quer dizer, ele participou de esquema de corrupção. E de um outro que tem feito uma gestão totalmente desastrosa, brasileiros estão morrendo todos os dias por causa de uma gestão irresponsável. Não dá para imaginar que a gente fique entre essas duas opções e fique tranquilo”, frisou.

Para Amoêdo, a formação da chamada terceira via “não é um processo fácil”: “Mas a gente tem que acreditar”. “Nós não podemos, como nação, aceitar esse fracasso”, destacou. De acordo com o fundador do Partido Novo, ainda podem surgir novos nomes até o início do processo eleitoral em 2022.

Amoêdo pontuou que não foi surpreendido pela decisão de Luciano Huck de renovar o contrato com a Globo, o que retira o apresentador de eventual disputa eleitoral em 2022: “Eu já imaginava” (0’37”). “A gente não sabia quais eram os planos dele, qual a visão dele sobre o país. E sobre o modelo de estado, sobre reformas administrativas, tributárias”, disse (1’44). De acordo com Amoêdo, por causa dessas lacunas, é difícil afirmar para onde os eleitores que já declararam voto no artista migrarão.

Como mostrou o Metrópoles, Luciano Huck se comprometeu a permanecer na emissora até 2025. O apresentador deve assumir o espaço de Fausto Silva na grade dominical. Apesar da opção de Huck pela televisão, Amoêdo assinalou que a presença do global nas discussões da chamada terceira via é “bem-vinda”.

O fundador do Partido Novo falou sobre o encontro recente com outro apresentador de TV: Danilo Gentili. “Não sei qual a disposição dele para se candidatar [a um cargo em 2022]”, pontuou. “Espero que ele participe da discussão de planos, de ideias”, disse (5′).

Amoêdo saiu em defesa do ex-juiz Sergio Moro. “Deu uma contribuição enorme ao combate à corrupção”, enfatizou. “O Brasil sempre teve uma sensação muito grande de impunidade. E ele quebrou esse paradigma que existia. E isso tem um valor enorme para a sociedade”, destacou (9′). Para o político, Moro foi “sabotado” por Bolsonaro quando comandou o Ministério da Justiça.

Impeachment e CPI da Covid
O empresário defendeu a abertura de processo de impeachment do atual mandatário do país, independentemente da CPI da Covid. “Acho que a CPI pode ajudar a dar mais argumentos para o impeachment. Mas, do ponto de vista jurídico, há uma série de crimes cometidos pelo presidente da República que seriam suficientes para abrir o processo.”

“Depois de toda essa gestão desastrosa, com a quantidade de brasileiros que estão morrendo, de desempregados, se isso não é suficiente para a gente abrir um processo [de impeachment], o que seria?”, questionou (15’30”). O fundador do Novo disse acreditar que a pressão popular pode forçar a Câmara dos Deputados a dar andamento aos processos.

Amoêdo afirmou que não espera do ministro da Economia, Paulo Guedes, a entrega das reformas liberais prometidas durante a campanha eleitoral de 2018 até o fim da gestão Bolsonaro. “Não basta você ter boas ideias, você tem que ter capacidade de execução. E o Ministério da Economia mostrou que não tem”, disparou (13’40).

O político criticou o Orçamento Geral de 2021, sancionado pelo governo federal no último dia 22 de abril. “Vimos a aprovação de emendas para deputados terem maior liberdade, maiores recursos, e verbas sendo reduzidas, da saúde, da educação. Ou seja, total inversão do interesse do cidadão.”

O fundador do Partido Novo defendeu a adoção de medidas restritivas para evitar a disseminação da Covid-19. “O problema da economia não é o fechamento [do comércio]. O problema da economia é o vírus. Não adianta você liberar tudo, se tiver um número muito grande de mortes, as pessoas vão estar receosas, e a economia vai sofrer”, salientou (22’50”).

Durante a entrevista, Amoêdo também falou sobre a gestão do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o aumento da fome e as expectativas de reaquecimento de economia no país.

Confira a entrevista:

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