Na pandemia, 44% das crianças e adolescentes brasileiros estão mais tristes

Levantamento também mostra que 75% sentem falta da escola e 60% têm saudades do convívio social e de amigos. Consumo de eletrônicos aumentou

atualizado 08/08/2021 18:03

crianças internet Unsplash

Um estudo conduzido pela Fundação Lemann em parceria com o Instituto Natura mostrou que 94% das crianças e dos adolescentes brasileiros tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia da Covid-19. O levantamento foi divulgado neste domingo (8/8) pela Agência Brasil.

Os pais e responsáveis consultados responderam que 56% das crianças e adolescentes ganharam peso, 44% se sentiram tristes, 38% ficaram com mais medo e 34% perderam o interesse pela escola. Quando as famílias têm renda menor, até dois salários mínimos, os índices são maiores: 59% tiveram ganho de peso, 48% ficaram mais agitados, 46% ficaram mais tristes e 35% perderam o interesse pela escola.

Os pesquisadores entrevistaram 1,3 mil pais e responsáveis por mais de 2,1 mil crianças e adolescentes, com idades entre 4 e 18 anos, de todo o Brasil. As crianças e jovens estão matriculados na rede pública ou fora da escola. Além desse grupo, o estudo também ouviu diretamente 218 crianças e adolescentes, com idades de 10 a 15 anos, entre 16 de junho e 7 de julho de 2021.

Educação

Do total de crianças e adolescentes consultados, 75% disseram que sentem falta das aulas presenciais ou de algum professor e 60% sentem saudades do convívio social e dos amigos. Para 66%, seu futuro será prejudicado pela pandemia. O principal sonho de 17% dos participantes do estudo é o de que a pandemia acabe.

No âmbito da educação, a pesquisa também mostrou que 3% das crianças e adolescentes não estão matriculados na escola. Desse total, 32% afirmaram que não estão na escola devido à pandemia e outros 32% responderam que encontraram vaga na rede pública de ensino. Além disso, 62% das crianças fora da escola têm entre 4 e 6 anos.

Entre os que estão matriculados, 92% informaram que estão fazendo as tarefas recebidas, e 89% dos pais e responsáveis consultados informaram que acompanham as atividades feitas pelas crianças e adolescentes na escola e nas aulas on-line.

Alimentação

Quanto à segurança alimentar, 34% das famílias afirmaram que a quantidade de comida foi menos que o suficiente. Entre aqueles que relataram insuficiência de alimentos, 63% se auto-declararam pretos e pardos, 63% informaram renda de até um salário mínimo e 66% responderam que alguém da casa perdeu o emprego ou renda na pandemia.

Além disso, o estudo também revelou que as refeições das crianças e adolescentes eram melhores antes da pandemia. Antes de se instaurar a epidemia da Covid-19 no país, 81% dos pais ou responsáveis disseram que as refeições dos filhos era ótima ou boa. Agora, o índice caiu para 74%. Entre os que consideram a alimentação regular, a taxa aumentou de 16% para 23%; e o ruim se manteve estável em 2%.

Eletrônicos

Segundo o levantamento, 37% das crianças e adolescentes estão jogando videogame ou usando o celular com mais frequência do que antes da Covid e 43% aumentaram as horas em frente à TV.

Há ainda outro dado preocupante: 6% das crianças e adolescentes entre 7 e 18 anos estão trabalhando, e desse total, 60% começaram em 2021 e 74% são garotos. A maioria tem 16 anos, sendo que 9% têm entre 11 e 14 anos, 68% entre 15 e 17 anos e 23% têm 18 anos. O maior percentual de trabalho infantil é entre os pretos.

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