Na frente do Planalto, Frota berra: “Apareça, Bolsonaro”. Veja

Deputado alegou que o governo "admitiu a culpa", ao demitir diretor de Logística do Ministério da Saúde acusado de cobrar propina

atualizado 30/06/2021 13:36

Deputado Alexandre Frota abandona candidatura em favor de Baleia RossiRafaela Felicciano/Metrópoles

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) esteve em frente ao Palácio do Planalto, na manhã desta quarta-feira (30/6), para “conversar” com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a acusação de existência de um esquema de propina no Ministério da Saúde, divulgada pela Folha de S.Paulo na noite de terça-feira (29/6).

O chefe do Executivo federal, no entanto, está em viagem oficial para Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Na gravação, publicada pela assessoria de imprensa do deputado, Frota afirma que, “se o presidente quiser”, sairá do Planalto para conversar com o parlamentar. Em certo momento da filmagem, o político pede, aos gritos: “Aparece, Bolsonaro”.

“Admitiram a culpa. A demissão do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, é o reconhecimento, é admitir a culpa do governo Bolsonaro na compra de vacinas”, diz Frota, quando é interrompido por um segurança do Planalto, que lhe diz que ele não pode ficar ali. O deputado, ex-bolsonarista, devolve: “Então me tira”.

Frota se refere às afirmações do representante da empresa de vacinas Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira. De acordo com o empresário, Dias ofereceu propina de US$ 1 por dose, em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. A proposta teria sido feita durante um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro.

“Mesmo diretor, ele foi indicado por esse lixo que está aqui dentro, no ano passado, para uma vaga de diretor da Anvisa. Ia ser a festa total, ia ser a festa da propina. Corruptos. O Bolsonaro acabou com a Lava Jato em outubro, afirmando que não existia propina no governo dele. O esquema de propina deles é moderno, não envolve apenas o operador de comunicação no cargo estratégico do Ministério da Saúde, como também o aparelhamento na Anvisa”, completa Frota.

“Agora o Bolsonaro vai ‘fritar’ o Ricardo Barros, vai exonerar o técnico do Ministério da Saúde. Bolsonaro engana o Brasil, Bolsonaro não tem coragem de falar comigo aqui”, finaliza, enquanto grita ao Planalto, pedindo que o presidente vá falar com ele.

Assista:

Entenda

De acordo com o noticiado pela Folha, a empresa Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada (depois disso passou a US$ 15,5). “O caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, disse Dominguetti.

“Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério. Se a gente conseguisse algo a mais, tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo”, afirmou à Folha o representante da empresa.

Dominguetti deu mais detalhes: “A eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: ‘Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma'”.

A Folha perguntou então qual seria essa “forma”. “Acrescentar 1 dólar”, respondeu. Segundo ele, US$ 1 por dose. “E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele [Dias] e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, ressaltou Dominguetti.

Após a divulgação da notícia, Roberto Ferreira Dias foi demitido de seu cargo no Ministério da Saúde. A exoneração consta no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira.

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