Mulher morta ao pular de ônibus mudou rota para comprar presente

Costureira Tânia da Conceição Mota, de 62 anos, foi obrigada a pular de ônibus, bateu a cabeça no meio fio e teve um traumatismo craniano

atualizado 19/01/2020 12:41

Reprodução/Facebook

O corpo da costureira Tânia da Conceição Mota , de 62 anos, morta ao saltar de um ônibus em movimento durante um assalto em Pilares , na Zona Norte do Rio de Janeiro,foi enterrado na manhã deste domingo (19/01/2020). As informações são do jornal O Globo.

Além da moradora do Jacarezinho, mais quatro passageiras teriam sido obrigadas a saltar do veículo da linha 298 (Acari-Castelo) durante o roubo.

“Ela era muito amada. Muitas pessoas aqui da comunidade do Jacarezinho, onde a minha tia morava, vão prestar essa última homenagem a ela. Espero que essa situação não fique impune. É mais uma vítima da violência do Rio. Nós vamos trabalhar e não sabemos se voltamos vivos para casa. Essa é a nossa rotina aqui na cidade”, desabafa Diego Ferreira dos Santos, de 34 anos, sobrinho de Tânia.

Outras quatro pessoas que também pularam do veículo ficaram feridas e foram atendidas no Hospital Salgado Filho, mas, com ferimentos leves, já receberam alta. Os criminosos anunciaram o assalto quando o veículo passava próximo ao Morro do Urubu. Abalados, os familiares de Tânia afirmaram que os assaltantes teriam mandado que alguns passageiros descessem do ônibus, mesmo com ele em movimento.

Ao saltar, a costureira bateu a cabeça no meio fio e teve um traumatismo crâniano fatal. Ela chegou a ser levada para o hospital, mas já chegou morta à unidade. A família esteve no Instituto Médico Legal (IML), no Centro, neste sábado, para liberar o corpo.

“Minha mãe era a melhor pessoa da comunidade do Jacarezinho. Até os inimigos ela conseguia ajudar. Se minha mãe tivesse morrido de doença, mas não… Foi de uma forma violenta e isso nada vai apagar”, afirmou a filha Glaucia da Conceição Mota, aos prantos, no IML.

Tânia era costureira de um ateliê que presta serviços para a escola de samba Unidos da Tijuca. A idosa tinha dois filhos e três netos e costumava voltar de trem para casa. Porém, quando ia ao Mercadão de Madureira para comprar ervas medicinais para tratar uma artrose no joelho ou presentes para pessoas da sua comunidade, ela acabava pegando um ônibus para voltar do trabalho na Cidade do Samba.

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