Mulher assediada ao ir para o trabalho não consegue mais sair de casa

Atendente de supermercado, de 37 anos, foi assediada por um homem que passou a mão nela quando andava de bicicleta, em Praia Grande (SP)

atualizado 06/12/2021 12:06

sp importunacao sexual ciclistaReprodução/Facebook/PGINFOMÍDIA

São Paulo – A atendente de supermercado, de 37 anos, que foi assediada quando ia de bicicleta para o trabalho em Praia Grande, no litoral de São Paulo, não consegue mais sair de casa por estar muito assustada.

A vítima foi surpreendida quando outro ciclista se aproximou por trás e passou a mão nela. Em entrevista ao G1, a mulher afirmou que entrou em choque após ser assediada enquanto andava de bicicleta.

“Estou me sentindo um nada, porque nada foi o que eu consegui fazer. Eu poderia ter reagido, alguma coisa assim, mas eu entrei em choque e não consegui reagir”, contou a mulher ao G1.

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Ela afirmou que nunca pensou que poderia ser vítima de um assédio como esse. “Não consigo mais sair de casa. Fui trabalhar no dia seguinte, acompanhada, mas estou muito assustada com tudo”, disse.

Depois de 13 anos fazendo o mesmo percurso para o trabalho, a atendente decidiu mudar o trajeto e deixar de usar o uniforme do supermercado no caminho.

“Quero tentar mudar tudo. Não vou mais com a roupa do trabalho, vou mudar a rua. Vou fazer outro trajeto mais longo”, afirmou.

De acordo com o G1, a própria vítima conseguiu imagens de uma câmera de segurança que registraram o assédio. A importunação sexual aconteceu por volta de 6h45 de sexta-feira (3/12), na Rua Santa Rita de Cássia, Vila Caiçara.

Ao Metrópoles, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que até o momento não há registro dos fatos.

Vídeo de câmera de segurança registrou o assédio

Medo de ser identificada

A vítima disse que, por medo de reencontrar o assediador, não faz mais o caminho sozinha e decidiu mudar de aparência. A ciclista, que preferiu não se identificar, contou ao portal G1.

Como é possível ver nas imagens, após passar a mão na ciclista, o homem pedala mais rápido que ela e foge. “Foi muito rápido. Eu olhei para trás pra ver e pedir ajuda, ver se alguém tinha visto, mas não tinha ninguém”, disse.

“Isso é coisa que a gente nunca acha que vai acontecer, me senti invadida demais. O povo fala ‘ah, tem mulher que anda muito despida’, mas eu estava indo para o meu trabalho, vem uma pessoa e achou que tem o direito de fazer aquilo comigo. Se eu estivesse um pouco mais para trás [fundo da rua], não sei o que poderia ter acontecido comigo”, desabafou.

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