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Brasil

Moro sobre motim no CE: "Apesar dos Gomes, a crise foi resolvida"

Em 13 dias de motim, o Ceará registrou quase 200 mortes. A negociação salarial da corporação deu início ao desentendimento com governo

Otávio Augusto02/03/2020 11:06, atualizado 02/03/2020 11:46
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Igo Estrela/Metrópoles
Sérgio Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, comentou nesta segunda-feira (02/03/2020) o fim do motim de policiais militares do Ceará. O ex-juiz argumentou que a situação só foi debelada por conta do trabalho do governo federal e reclamou da atuação da família Gomes, liderada pelos irmãos Ciro, ex-governador do estado pelo PDT, e Cid, senador licenciado que acabou baleado durante o movimento.

Em 13 dias de motim, o Ceará registrou quase 200 mortes. A negociação salarial da corporação deu início ao desentendimento com o Executivo local. “Explorar politicamente o episódio, ofender policiais ou atacá-los fisicamente só atrapalharam.Apesar dos Gomes, a crise foi resolvida”, escreveu Moro no Twitter.

O ministro ainda destacou o trabalho feito pelo governo federal. “A crise no Ceará só foi resolvida pela ação do Governo Federal, Forças Armadas e Força Nacional que protegeram a população e garantiram a segurança”, afirmou. As Forças Armadas continuarão atuando no Ceará até a próxima sexta-feira (06/03/2020).

motim começou na terça-feira (18/02/2020), quando homens encapuzados que se identificaram como agentes de segurança do Ceará invadiram e ocuparam quartéis, depredando veículos da polícia.

O conflito começou após policiais militares reivindicarem aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana (PT-CE). Mais de 230 policiais foram afastados das funções por envolvimento no motim, com a instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD).

O governo federal determinou que o emprego da Força Nacional no Ceará, na chamada Operação Mandacaru, tenha como foco a capital do estado, Fortaleza.

Moro completou. “Em janeiro de 2019, o governo federal, desta vez pela Força Nacional, força de intervenção penitenciária, PF e PRF, já havia atuado no estado do Ceará para, junto com as forças locais, debelar os atentados dos grupos criminosos organizados”, concluiu.

Entenda o caso
O estado enfrentou uma crise na segurança pública, após policiais militares realizarem motins para pedir reajuste salarial. A situação só foi normalizada no último domingo (01/03/2020).
Por volta das 21h deste domingo, a maioria dos policiais que estavam amotinados no 18º Batalhão da Polícia Militar decidiu pelo fim da manifestação, que durou 13 dias.
Mais cedo, foi apresentada à categoria uma proposta salarial elaborada pela comissão especial formada por membros dos três poderes estaduais e por representantes dos PMs.
O que foi negociado com os policias amotinados:

  • Os policiais terão apoio de instituições que não pertencem ao governo do estado, como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Defensoria Pública e Exército;
  • Os policiais terão direito a um processo legal sem perseguição, com amplo direito a defesa e contraditório, e acompanhamento das instituições mencionadas anteriormente;
  • O governo do Ceará não vai realizar transferências de policiais para trabalhar no interior do estado em um prazo de 60 dias contados a partir do fim do motim;
  • Os policiais militares devem retornar ao trabalho já no dia 2 de março, esta segunda-feira.

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