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Brasil

Moro bateria Lula no 1º turno se fosse candidato, aponta sondagem

Pesquisa revela que, se o juiz federal fosse candidato ao Planalto contra o petista, ganharia com 57,9% dos votos

26/07/2016 20:47, atualizado 26/07/2016 21:56
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Moro bateria Lula no 1º turno se fosse candidato, aponta sondagem

Famoso por sua atuação à frente da Operação Lava Jato em primeira instância, o juiz paranaense Sérgio Moro bateria com facilidade — e ainda no primeiro turno — o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso fosse candidato à Presidência e as eleições fossem hoje. É o que mostra levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta terça-feira (26/7). Se fosse candidato, o juiz teria 57,9% dos votos ante 21,3% de Lula, que já governou o país por dois mandatos e elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff, agora afastada da Presidência. Outros 13,9% dos entrevistados disseram que não votariam em nenhum dos dois; e 6,9% não souberam ou não quiseram opinar.

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Apesar das citações recorrentes nas investigações que apuram desvios bilionários na Petrobras, Lula vem se mantendo na liderança das pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial de 2018. Ele é acusado de ter sido o beneficiário de um sítio montado por empreiteiras envolvidas no Petrolão e também de ter um apartamento no Guarujá (SP) reformado por empreiteiras.

Essa não é a primeira vez que um juiz com atuação destacada no combate à corrupção aparece com chances reais em simulações para eleição presidencial. Então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa chegou a figurar com boas chances entre os presidenciáveis de 2014. Ele, no entanto, não se candidatou.

O diretor do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avaliou que a divisão entre Lula e Moro, nesse caso, reflete uma espécie de luta do “herói” contra o “vilão”, devido às investigações que atingiram o ex-presidente. “É uma visão positiva da ação que vem sendo conduzida pelo juiz”, disse.

Questionados, porém, sobre o que achavam da possibilidade de Moro concorrer à Presidência, os entrevistados mostraram-se divididos: 51,8%, pouco mais da metade, disseram que concordariam. Os contrários à candidatura somaram 44,3%. Não souberam ou não quiseram opinar 3,9%.

“A população avalia que Moro, no lugar que está, cumpre o seu papel. Isso representa uma certa satisfação com a atual situação”, prosseguiu Hidalgo.

Prisão
Apesar do elevado volume de denúncias que envolvem Lula, 67,8% da população acredita que ele não será preso. Apenas 28% dos entrevistados apostam que ele será levado ao cárcere. Não souberam ou não responderam 4,2%.

Os escândalos de corrupção que atingiram em cheio o seu partido, o PT, continuam a dividir opiniões com relação à legenda. Para 50,4% dos entrevistados, é indiferente que um candidato seja filiado à sigla de Lula. Outros 42,9% disseram que a filiação ao grupo faz com que eles tenham menos vontade de votar no político. Apenas 3,9% disseram que teriam mais vontade. Não souberam ou não responderam 2,8% dos questionados.

Agora, se o candidato já tiver seu nome envolvido em investigações da Lava Jato, 91,5% responderam que não votariam mais nele. Apenas 5,9% ainda votariam e 2,6% não responderam.

Foro privilegiado
Com o elevado número de parlamentares e ministros envolvidos em investigações por corrupção, a imensa maioria da população diz ser contra a manutenção do foro privilegiado, que garante aos deputados, senadores, ministros de Estado e ao presidente da República serem investigados apenas pelo STF. Um total de 92,5% dos brasileiros acredita que o instituto do foro privilegiado deveria ser extinto, e os políticos federais deveriam, então, ser julgados pela Justiça comum. Em contrapartida, 4,3% dos entrevistados acreditam que deve haver foro privilegiado, e 3,2% não souberam ou não responderam.

Para Hidalgo, essa opinião reflete, sobretudo, uma vontade de igualdade entre cidadãos e políticos — especialmente após a decepção devido aos esquemas sendo desarticulados na Lava Jato. “É um grito por igualdade”, avaliou.

A discussão ganhou bastante repercussão, especialmente a partir da indicação de Lula para assumir a Casa Civil antes do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência.

Após a condução coercitiva do petista para prestar informações à Polícia Federal sobre seu possível envolvimento no Petrolão, em março deste ano, Lula foi indicado para ser ministro-chefe da Casa Civil. A nomeação foi vista como uma manobra do governo para colocar o petista sob o manto do foro privilegiado e, dessa forma, impedir que ele fosse julgado por Sérgio Moro, que atua na primeira instância.