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O ex-mordomo do advogado Roberto Caldas, o aposentado Amarildo Bezerra, confirmou ter testemunhado alguns dos recorrentes episódios de violência cometidos pelo ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra Michella Marys, sua ex-mulher. Além das agressões físicas e verbais, o ex-empregado admitiu também que tinha conhecimento dos casos de assédio sexual envolvendo Caldas e pelo menos duas ex-babás da família.

“Ele gritava muito, falava muitos palavrões. Xingava a dona Michella de nomes como ‘puta’ e outros que eu não lembro”, disse o aposentado ao Metrópoles. Bezerra afirma ter presenciado uma agressão física ocorrida momentos antes de Caldas e Michella irem a uma festa em Brasília. “Ele a empurrou, ela caiu e o vestido subiu. Ficou só de calcinha na rua”, contou.

Veja o vídeo:

 

Sobre as acusações de assédio contra o renomado ex-juiz que fez fortuna como advogado, o ex-mordomo afirma ter tomado conhecimento dos casos ainda quando prestava serviços na luxuosa mansão da família.

“Trabalhei em dois momentos com eles. Em 2014, quando voltei como porteiro, percebi os olhares do doutor Roberto para as empregadas. Perguntei para o marido de uma delas, e ele me falou que, segundo a mulher, o doutor havia passado a mão na bunda dela”, relatou.

Os casos de violências e agressões cometidas por Roberto Caldas foram revelados pela revista Veja e aprofundados pelo Metrópoles desde então. Em depoimentos à reportagem, além da ex-mulher do jurista, duas ex-babás da família confirmaram terem sido assediadas sexualmente pelo advogado trabalhista.

As declarações do ex-mordomo insinuam que uma terceira vítima também teria sido alvo de Roberto Caldas: a então governanta da família. Apesar disso, Amarildo relata que a investida do ex-patrão não teve sucesso. “Ela era casada”, explica.

Enquanto trabalhava com a família, Amarildo Bezerra sofreu um acidente doméstico, o que prejudicou seu braço. Após afastamento solicitado por um médico, o então porteiro tentou retomar as atividades, mas as limitações resultaram na demissão do funcionário. “Eu era porteiro, mas tinha que carregar muita coisa. Depois do acidente, não tinha mais condições. Foi quando me mandaram embora”, conta.

Psicóloga também sabia das agressões
Em busca de uma reconciliação entre o advogado Roberto Caldas e a universitária Michella Marys, uma psicóloga foi contratada para conduzir a terapia do casal. Em e-mails obtidos pelo Metrópoles, a especialista tomou conhecimento da rotina de violências cometidas pelo ex-juiz. Ainda, a profissional insinua, em trecho da conversa, a personalidade manipuladora do jurista.

“Para você, Roberto, gostaria de te dizer que a forma como você vai conduzindo a conversa faz a gente se sentir muito pouco à vontade, e [a comunicação é] ‘conduzida’ pra onde você quer chegar. Eu senti isso naquele telefonema e imagino que seja assim que a Michella [se] sinta quando vai conversar com você. E talvez tenha sido por isso que ela tenha sentido necessidade de escrever pra mim”, registrou a psicóloga.

Em outro trecho das trocas de mensagens, a especialista sugere que o casal busque ajuda para acabar com a violência doméstica. “Agora vejo que realmente o que escrevi pra você e Roberto não foi à toa! Depois desse seu e-mail, vejo que não estão nada bem, pois se as agressões estão fortes assim, realmente vocês devem procurar ajuda.”

Posteriormente, a psicóloga incentiva Michella Marys a relatar os episódios de agressão para a terapeuta pessoal, de quem tinha “vergonha” de relatar os episódios. “Acho que essa resistência sua é por vergonha mesmo, conte isso tudo para ela. Você não precisa dos e-mails para contar”, escreveu.

 

Procurado mais uma vez pela reportagem, nessa terça (15/5), o advogado e juiz afastado da Corte Interamericana de Direitos Humanos Roberto Caldas não retornou os contatos.

A defesa do magistrado afastado também foi procurada, mas o então responsável, o defensor Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, deixou o caso e não comunicou quem o assumiria em seu lugar.

Defensor de Michella Marys, o advogado Pedro Calmon afirmou à reportagem que as recentes declarações dadas pelos ex-funcionários “somente confirmam a personalidade violenta e dominadora” do ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Fora da Corte e do escritório
Após a grande repercussão das denúncias que assombram a reputação de Roberto Caldas, o advogado foi afastado definitivamente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, apesar de ter pedido licença temporária da entidade, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Além disso, o jurista também acabou se distanciando do próprio escritório de advocacia no qual era sócio, após decisão do conselho societário da empresa.

 

 

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