Moraes proíbe Flávio Bolsonaro de manter contato com advogado Willer Tomaz
Decisão também impede senador de deixar o país; Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e foi derrotado por Lula no domingo
26/10/2026 18:46, atualizado 26/10/2026 18:48

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.
A determinação foi encaminhada à Polícia Federal (PF) para cumprimento imediato nesta segunda-feira (26/10).
No documento, Moraes determina a “proibição de Flávio Nantes Bolsonaro manter contato, por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa, com Willer Tomaz”.
O ministro também ordenou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, e sua inclusão no sistema de alerta migratório da PF, o que o impede de deixar o país. Flávio foi intimado a entregar os documentos em 24 horas.
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Willer Tomaz é advogado e empresário, amigo pessoal de Flávio.
Os dois são investigados em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas de apostas. O advogado também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na sexta-feira (23/10), Moraes já havia determinado a quebra de sigilos de empresas ligadas a Willer e o bloqueio de bens até o limite de R$ 6 bilhões.
Segundo a investigação, o advogado deixou o Brasil com destino a Miami, nos Estados Unidos, em agosto, sem registro de retorno. Os investigadores apontaram risco de destruição de provas relacionadas a negócios no exterior.
A nova decisão foi comunicada a Flávio um dia depois a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que foi intimado ao sair da residência do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília.
“Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, declarou.
Lula conquistou uma vitória histórica no segundo turno de domingo (25/10), ao reverter a desvantagem do primeiro turno e assegurar um quarto mandato presidencial. O petista recebeu 64,2 milhões de votos (51,79%), contra 59,8 milhões (48,21%) de Flávio.
Na noite da derrota, o senador se recusou a reconhecer o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição, sob alegação de irregularidades na prorrogação do horário de votação.
Nesta segunda-feira, contudo, Flávio mudou o teor de sua contestação.
Em vez de defender apenas a anulação da votação, afirmou a aliados que pretende pedir a cassação da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), sob acusação de abuso de poder político e econômico.
