Moraes interrompe voto de Cármen e rebate argumentos de Fux. Vídeo
Ministro exibiu um vídeo que mostra o ex-presidente Jair Bolsonaro incitando apoiadores contra a Suprema Corte
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Durante o quinto dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados por uma suposta tentativa de golpe de Estado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da ação, interrompeu o voto da ministra Cármen Lúcia para rebater argumentos apresentados pelo ministro Luiz Fux para absolver o ex-chefe do Planalto.
Durante a intervenção, Moraes rebateu a tese de que não houve organização criminosa, e exibiu um vídeo que mostra Bolsonaro incitando apoiadores contra a Suprema Corte.
“As organizações criminosas, cartéis de drogas, qual é a finalidade? Enriquecer vendendo drogas, mas praticam homicídios, sequestros, roubos. Essa organização criminosa queria calar o judiciário, o sistema de freios e contrafeitos. O Estado Democrático de Direito, e, ao mesmo tempo, se perpetuar no poder”, argumentou o relator.
“Se para isso precisasse matar um ministro do Supremo Tribunal Federal, envenenar um presidente da República, praticar peculato o uso utilizando os poderes do Estado, são crimes interminados, crimes para chegar ao seu objetivo antigo”, prosseguiu.
Veja a intervenção do ministro:
Moraes também afirmou que as decisões da Suprema Corte devem dar exemplo, uma vez que reverberam em tribunais de todo o país.
“Qual o recado que nós queremos deixar para o Poder Judiciário brasileiro? Qual o recado, qual o precedente que nós queremos deixar para o juiz lá da comarca, que não tem a segurança que nós temos?”, disse Moraes. “Nós vamos placitar que todo prefeito possa ir no dia 7 de setembro, como um patriota, jogar a população contra o Judiciário, após isso que ocorreu em 7 de setembro de 2021”, frisou.
A Primeira Turma do STF retomou o julgamento às 14h22. Na quarta-feira (10/9), Luiz Fux votou para absolver Bolsonaro e a maioria dos réus, com excessão do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o general Walter Braga Netto.
Ao começar o voto, Fux disse que crimes precisam ser provados. Ao longo da manifestação sobre Bolsonaro, o ministro disse, mais de uma vez, que não conseguiu identificar, na denúncia e nem nas provas, indicativo de participação do ex-presidente nos crimes. No final, votou pela absolvição total.
