Montezano promete definir em 2 meses se há “caixa-preta” no BNDES

O novo presidente do banco preferiu não cravar se existe mesmo a tão falada manobra para esconder informações de operações da instituição

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atualizado 16/07/2019 15:46

Após tomar posse como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano afirmou em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (16/07/2019), que a prioridade da nova direção vai ser definir se afinal há ou não uma caixa-preta no órgão. Ele deu o prazo de 2 meses para se inteirar sobre os levantamentos da equipe e conseguir comprovar se há, de fato, a existência do que chamou de “nuvem cinza”.

“Eu não tenho opinião formada sobre o tema ainda, tenho cabeça aberta e limpa sobre o conteúdo das informações que tem lá. Perguntar o que foi e o que não foi é prematuro”, afirmou. E prosseguiu avaliando que, como é um executivo e não “um político ou juiz”, não irá julgar quaisquer conteúdos que possam surgir com as investigações. “Minha função é fazer o banco desenvolver sua estratégia, e não entrar no julgamento sobre A ou B, eu não faria isso”, completou.

“O que a gente está propondo é explicar a caixa-preta, existe uma dúvida clara de políticos e da sociedade debatendo o que há. Ao final desses dois meses eu gostaria de ser capaz de explicar o que é esse conteúdo que contextualiza a caixa-preta. Estamos fazendo o dever de casa”, continuou.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), comentou, em diferentes oportunidades, que a “caixa-preta” do banco “prejudicou o Brasil”. Este foi um dos motivos da disputa entre o chefe do executivo e o ex-presidente do BNDES Joaquim Levy, que, embora executivo do mercado financeiro e nitidamente liberal, participou de governos petistas.

Apesar de preferir não afirmar se há uma caixa-preta do órgão, Montezano avaliou que a acusação prejudica a imagem do banco, que pretende se tornar mais social e menos institucional. Sendo assim, a investigação deve ser prioridade de seu mandato, a fim de “revitalizar” a imagem do BNDES. “Hoje os senhores sabem que a imagem do banco é questionada,  o valor de franquia é abalado por isso. A primeira coisa que um dirigente tem que fazer é criar própria visão dos eventos e fatos e, ai sim, se posicionar com intuito de tirar essa nuvem cinza”, disse.

Aos jornalistas, Montezano afirmou que irá utilizar estudos iniciados por presidentes anteriores e se basear nos dados já levantados para dar andamento às investigações. Ao fim da coletiva, ele ressaltou que o BNDES tem um compromisso social com a população e que o objetivo de investigar a existência da caixa-preta é ser transparente com a sociedade e com a imprensa.

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