Monitor de robôs encontra 80 mil posts pró-governo no Twitter em maio

Ferramenta monitora perfis falsos e rastreia publicações feitas em massa por robôs

atualizado 14/06/2020 8:46

Horas depois do tão esperado vídeo da reunião ministerial de abril ser liberado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, em 22 de maio, um dos principais assunto do Twitter foi um só: a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Olha os robôs em funcionamento”, escreveu um internauta, acendendo um alerta. A confirmação veio logo depois. “Contas falsas estão tweetando sobre #Bolsonaroreeleito”, alertou o Bot Sentinel, famosa plataforma gratuita criada em 2018 para detectar e rastrear robôs políticos pelo mundo.

No início da manhã do dia 23, o aviso foi dado mais uma vez. Às 17h08, de novo. “Identifiquei 1.249 tweets mencionando #Bolsonaroreeleito que foram tweetados por contas falsas”. O mesmo aconteceu por mais dois dias, totalizando 26.224 menções feitas por robôs à hashtag.

Análise conduzida pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, a partir dos registros do Bot Sentinel, encontrou, desde o início de maio, quando a versão 2.0 da ferramenta foi lançada, quase 81 mil posts pró-governo escritos por perfis falsos no Twitter. Seja para defender o presidente ou atacar o STF, as máquinas fizeram o que foram programadas para fazer: colocar o governo Bolsonaro entre os assuntos mais comentados do mundo e gerar burburinho nas redes sociais.

Das várias hashtags apontadas, duas alcançaram o topo dos assuntos globais logo após a demissão do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. #FechadocomBolsonaro e #Maiavaicair ficaram entre as mais usadas no fim de semana do dia 25 de abril.

No último mês, os contínuos ataques ao STF também chamaram a atenção. #STFVERGONHANACIONAL, #ALEXANDREMENTIU e #DECLARODESTITUIDOSTF foram alguns dos termos apontados pelo Bot Sentinel como disseminados por contas falsas. Em pouco mais de 48 horas, foram, pelo menos, 13 mil menções a essas hashtags.

Confira:

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Pela própria rede social, o time de comunicação do Twitter ressaltou “que aplicativos e pesquisas de terceiros têm se mostrado metodologicamente falhos porque só acessam sinais externos das contas. Essas informações são muito limitadas em relação àquelas de que dispomos para determinar se uma conta é ou não uma automação indevida, o que pode levar a falsos positivos”. A plataforma, segundo o comunicado, aplica medidas defensivas para garantir que o conteúdo automatizado não influencie as conversas.

Investigações

Desde as eleições de 2018, quando suspeitas foram levantadas sobre utilização de disparos de fake news em massa pelo WhatsApp e outras redes sociais, pelo menos duas linhas de investigação ocorrem no Brasil.

Uma é comandada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com inquérito aberto em março de 2019 pelo presidente da Corte, Dias Toffoli. O objetivo é apurar notícias falsas e ameaças contra ministros feitas em redes sociais.

Outra é a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fake news. Instalada em julho de 2019, apura ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o uso de perfis falsos para influenciar as eleições.

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Metodologia

Para fazer a análise, o (M)Dados se baseou no perfil oficial do Bot Sentinel, que arquiva as análises feitas pelo algorítimo da ferramenta. A iniciativa é uma plataforma gratuita desenvolvida para detectar e rastrear bots políticos, trollbots e contas não confiáveis de todo o mundo.

Desse arquivo, foram extraídas 14.301 postagens feitas desde fevereiro.

 

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