Ministério da Saúde afrouxa recomendações contra coronavírus

A pasta recuou no cancelamento de cruzeiros turísticos, no isolamento voluntário e na proibição de eventos de massa

atualizado 16/03/2020 14:00

Movimentação de passageiros com mascaras respiratórias no Aeroporto de BrasíliaDaniel Ferreira/Metrópoles

O Ministério da Saúde alterou neste sábado (14/03) algumas recomendações  para evitar o alastramento do coronavírus no país que divulgou na sexta-feira (13/03). A atualização do boletim epidemiológico ocorreu após a pasta ouvir sugestões de estados e municípios.

Entre as mudanças está a do adiamento de cruzeiros turísticos. A pasta retirou a advertência para revisão e ajuste porque vai avaliar a necessidade de diferenciação entre os cruzeiros em trânsito e dos cruzeiros que ainda não iniciaram e que podem atuar como ambiente de risco durante o período de maior transmissibilidade da doença.

Outra alteração foi a respeito do isolamento voluntário. Segundo o ministério, a medida, com duração de sete dias, a viajantes que chegarem de destinos internacionais desde a data do desembarque foi “excluída para revisão técnica dada a sugestão de dificuldade operacional de implantação”.

A pasta informou ainda que o adiamento e/ou o cancelamento de eventos de massa — governamentais, esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, comerciais e religiosos –, conforme estava nas regras gerais, foi ajustado e a recomendação alterar para cidades que têm transmissão local.

Atualmente, a maioria dos casos de coronavírus em território nacional é importada: os pacientes foram infectados em áreas onde o vírus está em circulação. Há ainda 15 casos de transmissão local, onde o paciente teve contato com um caso confirmado e foi contagiada, e quatro de transmissão comunitária, quando não se sabe como a pessoa contraiu o vírus.

No entanto, é esperado que a velocidade de contágio aumente a partir de 20/03, com a chegada do outono. “A estimativa é que a cada três dias o número de casos dobre sem a adoção das medidas propostas”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

“Essas medidas são recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram – e estão – sendo utilizadas nos países em que se encontram em surto para diminuir a transmissão dos vírus. O que não queremos é chegar ao nível da Itália. Por isso precisamos nos antecipar”, explicou o secretário.

A medida vai na contramão do que orientou o Ministério Público Federal (MPF), que deu 36 horas para o governo antecipar medidas contra o coronavírus.

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