Mesmo vendo resistência, PT vai discutir federação com PSol nesta 4ª
Encontro entre presidentes e membros das executivas dos partidos discutirá aliança formal para 2026 em meio a divergências internas
atualizado
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O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reúne-se nesta quarta-feira (25/2) em Brasília com a presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSol), Paula Coradi, e integrantes das executivas nacionais das duas siglas para discutir cenários eleitorais. Entre os temas, está a proposta de formação de uma federação partidária.
A ideia, porém, encontra resistência em ambos os partidos. Nos bastidores, parte dos petistas vê a medida como estratégica, enquanto outra ala aponta falta de interesse do PSol, motivada por divergências internas que dificultariam a união.
Embora sejam aliados, o PSol se posiciona contrário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pautas pontuais. O caso mais recente foi a mobilização para a revogação do decreto assinado pelo petista que previa a inclusão de trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND) para futuras concessões hidroviárias. A decisão acabou sendo revista na segunda-feira (23/2), após pressão e mobilização de indígenas.
No PSol, parte da militância avalia que uma federação poderia prejudicar candidaturas próprias em diferentes estados, ao favorecer nomes do PT. A posição oficial da sigla deve ser definida em reunião do Diretório Nacional marcada para 7 de março.
Ao Metrópoles, Edinho afirmou que o PT vai propor ao PSol uma federação que não tire a autonomia da sigla e que “se mova por uma agenda para o Brasil”. De acordo com o petista, o cenário político atual exige que a esquerda se una em agrupamentos, como a direita tem se organizado.
“O Brasil vive um momento histórico de definição de futuro, os blocos partidários darão a dinâmica da agenda do país. Construir um bloco com o compromisso de construção de uma agenda que signifique legado para o país é um grande acerto”, afirmou o presidente do PT.
De acordo com interlocutores, além da federação, a reunião deve tratar da composição de chapas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Sergipe e Santa Catarina, com foco nas estratégias para a reeleição de Lula.
Federações partidárias
- Uma federação partidária é uma aliança formal entre dois ou mais partidos que passam atuar como se fossem uma única legenda por um período mínimo de quatro anos.
- Diferentemente das coligações tradicionais, a federação exige atuação conjunta contínua em nível nacional, estadual e municipal, com programa comum, bancada unificada no Congresso e decisões compartilhadas durante toda a vigência do acordo.
- O primeiro pleito a incorporar o modelo de federação partidária foi o das eleições de 2022, e a primeira vez que a modalidade vigorou em eleições municipais foi em 2024.
PSol e Rede
Atualmente, o PSol integra federação com a Rede Sustentabilidade (Rede), enquanto o PT está federado com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV).
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, a união entre PSol e PV pode ser renovada. Em agosto do ano passado, os dois partidos anunciaram o início das discussões sobre a renovação da federação, que foi formada entre as duas legendas em 2022.
Atualmente, a federação conta com parlamentares eleitos para a Câmara dos Deputados em seis estados. Para o próximo pleito, de acordo com a direção das legendas, o proposito é ampliar o número de cadeiras.
O movimento, porém, vai depender do que for acordado com o partido do presidente Lula.

